11-02

 

 

* Teresa Martinho Marques



Professora, em que nível vai no Facebook?
Desculpa, Tomás... o quê!?
Oh professora... em que nível é que vai nos jogos do Facebook?

Foi quando descobri, no ano passado, que praticamente todos os alunos da minha turma tinham conta no Facebook e o que a maioria mais por lá fazia era... jogar!
Perfis expostos, configurações de privacidade desajustadas, subutilização do potencial... Não pude resistir a trazer a mim mais esta missão. Não sem antes lhes dizer que achava um pouco cedo para a participação nestas redes. Mas já que lá estão, os pais sabem e aceitam, não me compete a mim fingir que não é uma realidade a que teremos de nos ajustar, mais uma vez. Avestruz não.
Com que tempo?
Aproveitando o Clube Scratch time, que é o nosso pequenino oásis tecnológico semanal, facultativo e sempre cheio, sem pressas, sem correrias que não sejam as do desejo de aprender porque queremos mesmo. E começamos a ver o efeito dessas aprendizagens em torno da utilização do Facebook. Dos nossos diários de antigamente fechados a cadeado, passámos aos diários digitais de páginas abertas e interativas, com a nossa cara a partilhar tudo o que desejamos que não seja apenas nosso. Não reclamo. Gosto destes tempos que são tão meus quanto deles.
Por vezes, numa ou noutra aula, o assunto é trazido à tona. Esclarecem-se umas dúvidas, mas remetemos o resto para lá. O tempo das aulas é pouco, as provas já em Maio e aqui, sim, nestes espaços fabris, tudo nos empurra gradualmente para uma alucinante e pouco humanizada viagem de aprendizagem, em turmas cada vez maiores. E o futuro anuncia-se descolorido...

Deveria ser institucionalizado mais espaço e tempo para tão importantes missões de apoio, ajudas na navegação do mundo com as tecnologias, aproveitando o que elas oferecem de melhor. Tempo respirado, passeado. Não tempo corrido. Tempo de aprender sobre as tecnologias, mas sobretudo com elas.
E a Escola, onde apesar de tudo a tecnologia entra mais devagar do que no mundo, deveria ser acarinhada nessa missão essencial.
Uma das alunas da turma (10 anos) estava escondida por lá... nome anónimo, foto de alguma personagem. Descobri por acaso (mantive a conta sob controlo) e conversei com ela. Não vou dizer nada ao teu pai (meu colega e ligado às tecnologias) se fores tu a fazê-lo. Mas tens de compreender que não é seguro, que é um risco e que, se queres muito, deves agir com segurança e o conhecimento dos pais.
No dia seguinte entrou feliz. Estava oficialmente no Facebook com autorização, muitos conselhos paternos e um perfil à prova de bala. O tempo de uma conversa fez toda a diferença. O tempo que me permitiu a atenção, o controlo e a mediação, partilhada com a família, também. Não é um luxo. É um bem de primeira necessidade.

Todos os dias sacudo o cinzento, empurro as sombras do futuro e concentro-me na missão de hoje. Se provarmos que ele faz falta para desenhar a diferença, talvez parem de nos roubar o que a Escola tem de mais precioso (para além dos alunos e dos professores): o tempo.

Ligação útil em questões de segurança na Internet: http://www.seguranet.pt/blog/

 

* EB 2,3 de Azeitão e CCTIC – ESE/IPS: http://projectos.ese.ips.pt/cctic/

 



publicado por Correio da Educação às 18:14
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3 comentários:
De antónio alves a 23 de Fevereiro de 2011 às 00:00
muitos parabéns pelo texto!


De Alberto Caeiro a 8 de Maio de 2011 às 20:11
A abordagem esquece totalmente o uso do Facebook, e das outras redes sociais de menor nível, pelos docentes, nas relações de assédio, entre os vários colegas de profissão, onde alguns verdadeiros "psicólogos(as) amadores", com formação nessa área até obtida a expensas do ministério, procuram em estilo de predador, entre as(os) colegas que apresentam fragilidades de índole psicológica ou até sob tratamento psiquiátrico (e hoje em dia são tantas(os), ou apenas as(os) colegas recém colocadas(os), mais jovens, inseguros e inexperientes, algumas "presas" mais ou menos intimidáveis e tudo efectuado mais ou menos secretamente, por estas vias.


De fendi outlet a 28 de Setembro de 2016 às 03:43
O tempo que me permitiu a atenção, o controlo e a mediação, partilhada com a família, também. Não é um luxo. É um bem de primeira necessidade.


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