13-10

 

* José Matias Alves

 

Começou mais um ano letivo. Com o problema da avaliação adiado, com algumas confusões na colocação de docentes, com uma significativa diminuição de professores colocados, com promessas (inúteis) de voltar a mexer em programas e de mais exames a contar para a nota e para a passagem de ano.

Aparentemente, foi um recomeço marcado por mais rigor, mais exigência, mais trabalho, mais prestação de contas, mais centração no essencial. E um certo alívio na panela de pressão dos dispositivos de avaliação de professores, adiando-se para mais tarde o tempo da crispação.
Um saldo, apesar de tudo, tendencialmente, positivo. Gostaria, no entanto, de sublinhar que o rigor, a exigência, o trabalho, o conhecimento têm de começar no Ministério da Educação que tem de fazer mais e falar menos; que tem de  publicar menos no Diário da República e persuadir a agir mais e melhor os atores educativos situados nos diversos campos e níveis; que tem de prescindir das vastas ilusões da governação por decreto e por programas centralizados; abdicar das reformas morfológicas que só mudam os nomes e as formas e não têm o poder de alterar a substância das coisas e as dinâmicas das ações e das relações.

Um rigor e uma exigência: não no fim da linha (com os mágicos exames que pouco ou nada adiantam ou até podem fazer regredir conhecimentos e competências pessoais e sociais  como os estudos do teach to the test bem demonstram), mas durante a linha do ensino e das aprendizagens. Rigor e exigência no fazer aprender os alunos; na implicação e responsabilidade dos pais; na diferenciação pedagógica; na avaliação criteriosa; na formação científica e pedagógica; no trabalho colaborativo.

Vivemos, pois, sob o signo de um recomeço que deveria ser inscrito na matriz da reinvenção, da procura de novos e mais eficazes caminhos pedagógicos, da tenacidade, do trabalho, da exigência e do rigor no que vale a pena. E o que vale a pena é tudo aquilo que nos mobiliza, nos capacita, nos motiva, nos alenta para ensinar e incluir todos os alunos no esforço de darem o máximo de si.

E o signo a que aqui me refiro também se pode aplicar aos 60 anos da ASA. Uma empresa a que estive ligado muitos anos e que se distinguiu nesse continuado esforço de recomeçar e reinventar: soluções pedagógicas e gráficas, iniciativas marcantes no panorama educativo português (os célebres Cursos de Verão,  os Encontros de Primavera, por exemplo) ou as edições no campo das Ciências da Educação que se constituíram como um dos mais valiosos catálogos de autores portugueses.

É deste espírito que nos temos de reclamar herdeiros se queremos escapar à asfixia que parece rodear todos os horizontes.


* José Matias Alves é investigador, doutor em Educação e professor convidado da Universidade Católica Portuguesa.



publicado por Correio da Educação às 14:00
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3 comentários:
De Anónimo a 18 de Outubro de 2011 às 10:36
Em desacordo com a análise feita no segundo paragrafo sobre o inicio do ano lectivo, a não ser que se possa estar a falar da abertura do ano lectivo noutro País!?...quanto ao resto reflexão fácil que partilho.


De JMA a 19 de Outubro de 2011 às 12:10
O advérbio "aparentemente" inicia o parágrafo. Quanto ao juízo da 'facilidade', cada leitor é livre de ler o que entender.


De 污妹子 a 28 de Setembro de 2016 às 03:41
É deste espírito que nos temos de reclamar herdeiros se queremos escapar à asfixia que parece rodear todos os horizontes.


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