16-04

Carla Marques*


Estou cansado, é claro,

Porque, a certa altura,

a gente tem que estar cansado.

De que estou cansado, não sei:

De nada me serviria sabê-lo,

Pois o cansaço fica na mesma.

A ferida dói como dói

E não em função da causa que a produziu.

Sim, estou cansado,

E um pouco sorridente

De o cansaço ser só isto

— Uma vontade de sono no corpo,

Um desejo de não pensar na alma,

E por cima de tudo uma transparência lúcida

Do entendimento retrospectivo...

E a luxúria única de não ter já esperanças?

Sou inteligente; eis tudo.

Tenho visto muito e entendido muito

o que tenho visto,

E há um certo prazer até no cansaço que isto nos dá,

Que afinal a cabeça sempre serve para qualquer coisa.

Álvaro de Campos, in "Poemas"

 

 

Se por esta altura entrarmos numa sala de professores de qualquer escola do país, este será o ambiente que paira no ar… Cansaço.

Num passado ainda demasiado recente, os professores uniram-se, transformaram-se diversidade, diferenças, incompatibilidades numa manta de retalhos que se uniu e que lhes deu a agradável sensação de união e força. E assim foram, gritaram o seu direito de ser professores nas ruas e nos caminhos virtuais. Moviam-nos as vozes que teimavam em anular uma classe, as intermináveis reuniões improváveis, a degradação do ambiente da escola, a luta pela qualidade de um ensino que viam decair a cada portaria, a cada decreto. Uniram-se porque pressentiram o fumo da injustiça moldado por uma avaliaçã o do desempenho que sabiam não poder ser justa, rigorosa ou verdadeira.

*Carla Marques - Mestre em Linguística e doutoranda na mesma área; autora de várias publicações de carácter didáctico e de carácter linguístico: docente na Escola Secundária/3 de Carregal do Sal.



publicado por Correio da Educação às 00:34
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15-04

1. O Portugal de 1910 – Algumas realidades para nos darem uma imagem do tempo: Cinco milhões de habitantes, seis em cada dez eram agricultores, com cerca de 80% de analfabetos. Era o tempo de uma sardinha para quatro, à refeição familiar.

Publicavam-se cerca de 500 jornais: se era a média dos países europeus, a sua tiragem era muito inferior. O comboio, Lisboa/Porto, levava 12 horas, a cavalo eram necessários três dias, e, de carro, ia-se a uma velocidade de 20/30 Km/h.

Havia 30 telefones no país, e um cinema em Lisboa; as casas, mesmo nas cidades, não tinham saneamento nem água. O descanso semanal havia chegado em 1907.

J. Esteves Rei - Professor Catedrático de Didáctica das Línguas e de Comunicação, na UTAD, Vila Real



publicado por Correio da Educação às 23:23
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