22-12

Lídia Marques & Paula Costa

 

“Quem não conhece línguas estrangeiras, não sabe nada da própria." Assim profetizava Goethe. Tal afirmação não poderia ser mais atual. Numa sociedade que se quer cada vez mais aberta aos outros, é fundamental alargar os horizontes pessoais, incentivar os mais novos, partilhar referências que fazem parte da nossa cultura e da nossa história, dar-lhes as ferramentas de que precisarão para se moverem num mundo cada vez mais exigente, uma aldeia global que não cessa de crescer e que está cada vez mais perto de nós. Uma geração que sabe menos é uma geração mais pobre. Por isso, as línguas constituem a chave fundamental para compreendermos os outros povos, irmos aos encontro das suas diferenças, encontrarmos semelhanças, partilharmos experiências, oportunidades, concretizarmos sonhos.


A Europa promove, todos os anos, no dia 26 de Setembro, o Dia Europeu das Línguas. É a oportunidade para lembrar que a aprendizagem das línguas é imprescindível, numa Europa cada vez mais interdependente. Esta comemoração assenta no princípio de que a diversidade linguística é um dos pontos fortes da Europa e que a aprendizagem das línguas contribui para reforçar a tolerância e a compreensão mútua. Em 2005, 146 países membros da UNESCO apelaram, numa convenção internacional, para a importância do plurilinguismo, salientando a necessidade de aprender várias línguas, para assegurar uma melhor diversidade cultural no mundo. As línguas não são só ferramentas propícias à comunicação mas refletem e transmitem igualmente perceções do mundo que nos rodeia, e no qual se inserem os nossos jovens.

Numa Europa unida, as línguas favorecem a mobilidade profissional. A União Europeia recomenda assim a aprendizagem de – pelo menos – mais duas línguas, além da materna e, no resto da Europa, os alunos do ensino básico e secundário continuam a aprender duas, três ou até mais línguas. Só em Portugal não é assim. A confirmarem-se os rumores que correm sobre a supressão da segunda língua estrangeira obrigatória, no terceiro ciclo do ensino básico, aquando da próxima revisão curricular, estaremos a dar um grande passo atrás na educação dos nossos jovens e na defesa da sua igualdade de direitos, em relação aos outros jovens europeus.


Curiosamente, os nossos dirigentes parecem não terem conhecimento de que “a Comissão Europeia está convicta de que o custo da promoção da utilização de uma segunda ou terceira línguas pelos cidadãos da União Europeia, segundo os princípios preconizados pelo plano de ação, é razoável face às oportunidades que se perdem devido à falta de conhecimentos linguísticos e aos efeitos negativos destas lacunas para a economia da União Europeia, em termos de oportunidades comerciais não aproveitadas” (fonte).


Além disso, e ao contrário do que apregoava uma jornalista de um conceituado jornal português, há uns largos meses atrás, o ensino do Francês nas escolas portuguesas não é apenas “residual”, mas tem vindo a ganhar um novo fôlego com projetos enquadrados e apoiados pela Embaixada de França e a DGIDC. Referimo-nos às Secções Europeias de Língua Francesa, cada vez mais numerosas em Portugal, que introduzem o ensino de uma disciplina não linguística (História, Geografia, Matemática, entre outras), em Francês, no currículo geral. Em Espinho, por exemplo, a Escola Básica e Secundária Dr. Manuel Laranjeira participa neste desafio desde 2006. Referimo-nos ainda ao número crescente de alunos que se apresenta ao exame DELF (Diploma de Estudos em Língua Francesa), prestando provas escritas e orais para a obtenção de uma certificação reconhecida internacionalmente. São alunos conscientes de que a diversidade linguística abre portas e horizontes. Sabem, por exemplo, que o acesso às universidades francesas é bem mais simples do que às espanholas; sabem ainda que não há médias altíssimas nem numerus clausus para entrar no primeiro ano de Medicina em França; sabem também que as propinas anuais, no ensino superior público francês, são inferiores a duzentos euros.


    Em conclusão, esses jovens e as suas famílias estão conscientes de que a aprendizagem das línguas estrangeiras, em contexto escolar, aproxima-os de outras culturas, reforça a consciencialização da sua própria identidade nacional, representa uma vantagem profissional e constitui ainda um enriquecimento pessoal.


O nosso projeto assenta nestes princípios, daí começarmos por felicitar os jovens pela sua escolha, sistematizando as principais vantagens da iniciação da língua estrangeira francesa no 7.º ano.

 


 




publicado por Correio da Educação às 15:49
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13 comentários:
De IC a 28 de Dezembro de 2011 às 01:07
Infelizmente, sobre a supressão da segunda língua estrangeira obrigatória, no terceiro ciclo do ensino básico, não vi (pelo menos não dei conta) nenhuma iniciativa de petição ao Governo ou ao Ministro da Educação para que não a suprima. Houve uma, pelo menos, e bem fundamentada, quando da intenção de suprimir a disciplina TIC, e as muitas vozes foram ouvidas (até passará a iniciar-se no 6º ano). Penso que ainda haveria tempo para uma "movimentação de vozes", bem fundamentada como está este artigo.


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