08-10

 

 

*José Matias Alves

 

 

A pedagogia escolar está sobredeterminada pela obsessão da resposta. O discurso escolar oscila entre a exposição e a pergunta, na ânsia da resposta certa. Ora a pedagogia da resposta (da passividade e da conformidade) deveria evoluir para dar muito tempo e espaço à pedagogia do problema, da procura e da alteridade.

 

Porque é o problema que nos interpela e pode mobilizar. Porque é o problema que nos pode levantar do reino da comodidade e mobilizar para ver, intervir, transformar.

 

Um problema é o princípio da aprendizagem. Perceber os seus contornos, as suas faces, as suas causas. Colocar hipóteses compreensivas e explicativas. Recolher dados, aferir, contrastar, validar, confirmar, refutar hipóteses. Todo um empreendimento de aprendizagem e de autoria. De criação de novas visões.

 

Precisamos, como do pão para a boca, desta pedagogia que nos pode fazer despertar do tédio e do ensimesmamento. Que nos pode levantar do chão da subserviência e desejar querer implodir a ordem vassálica em que, em larga medida, ainda vivemos.


Portugal precisa, como proclamava Fernando Pessoa, da agitação e da revolta lúcidas. Precisa de combater o pensamento único e a fatalidade de pensarmos que só nos resta a miséria e a desgraça.


A pedagogia, essa arte e essa ciência do fazer voar as nossas crianças e os nossos jovens, precisa de se inspirar nesta ousadia e nesta navegação. Para termos um futuro digno deste nome.

 

* José Matias Alves é investigador, doutor em Educação e professor convidado da Universidade Católica Portuguesa.



publicado por Correio da Educação às 14:51
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