12-11

 

* José Matias Alves

 

A escola é hoje um lugar fragilizado pelo excesso de mandatos onde as promessas educativas têm muita dificuldade em cumprir-se. As promessas de realização pessoal, de integração ativa na sociedade, de preparação para uma vida profissional, de mobilidade social ascendente estão muito mais ameaçadas pelo signo do incumprimento.

 

E, no entanto, a escola é esse lugar da esperança residual. Lugar de afetos e angústias, lugar de solidões, convivialidades e cumplicidades. Lugar paradoxal de sofrimento, resignação e alegrias. Das pequenas alegrias que nos fazem acreditar que, apesar de tudo (isto é, do peso das normas, da anquilose das estruturas, das derivas políticas e económicas), há utopias que se vão podendo realizar, há o azul que se (re)descobre por detrás dos horizontes sombrios. E há práticas de promoção de sucesso que nos fazem acreditar na possibilidade de outro futuro.

 

A escola é quase o único lugar social do acolhimento sereno e cuidado, do conhecimento que emancipa e liberta, da relação que nos faz reconhecer na nossa humanidade compassiva.

 

Nesta turbulência que tudo varre, na precariedade institucional das suas finalidades e funções, na incerteza e na ambiguidade que tudo assolam, a escola continua a ser um porto de abrigo e um cais de esperança para muitos milhares de portugueses.

 

Por isso, deverá merecer um olhar cuidado por parte de todos os poderes. Porque sem ela a vida social seria impossível e a guerra de todos contra todos seria uma trágica realidade. E esta imprescindibilidade da escola significa também a imprescindibilidade dos professores. Há uma dívida de gratidão e de reconhecimento que vai sendo tempo de começar a pagar. Há uma política de apoio que terá de ser incrementada sob pena de se desenhar o desastre. E há um sentimento de urgência que seria bom tornar eficaz e real.

 

* José Matias Alves é investigador, doutor em Educação e professor convidado da Universidade Católica Portuguesa.

 



publicado por Correio da Educação às 15:00
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3 comentários:
De Paula a 23 de Novembro de 2012 às 17:10
A escola deveria ser um lugar único, e já o foi mais, mas agora está quase esvaziada de esperança e de sucessos. Está mais cheia da frieza e da angústia das contas, dos cálculos, das metas e dos "rankings". Não sou particularmente fã da expressão "promoção de sucesso", embora saiba que isso é "politicamente correto" esperar-se da escola. Apenas isso: as metas e outras contas que nunca deveriam fazer-se quando se trata de Educação.
O que significa o "sucesso" em Educação? Podemos ter "boas notas" e ter atingido as "metas de sucesso", mas seremos realmente felizes? Teremos mesmo atingido a realização pessoal e a integração activa dos nossos alunos na sociedade?
Sim, também acredito no "porto de abrigo" e no "cais de esperança", mas é preciso mudar-lhes o rumo para um lugar mais luminoso e mais cheio de calor humano.


De Term Paper Writing Services a 25 de Abril de 2016 às 13:12
You are completely right about the educational institutions' purposes and functions ambiguity existing these days. In schools especially.


De gucci replica a 13 de Setembro de 2016 às 11:55
José Matias Alves é investigador, doutor em Educação e professor convidado da Universidade Católica Portuguesa.


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