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  O presente livro incorpora a experiência do autor e a investigação em Didáctica de Física e resulta da necessidade de fazer uma sistematização do conhecimento na área. Na sua base está a ambição de tentar construir um corpo coerente de conhecimentos da Didáctica da Física, pese embora a imaturidade da área científica. Mesmo que o resultado não seja estável, pode constituir-se, ao menos, como referência para ulteriores tentativas.

Procura-se fazer uma sistematização crítica de trabalhos das grandes áreas da investigação em Educação em Ciência que tenham relevância para a Aprendizagem e o Ensino de Física. Assim, parte-se, entre outros, de trabalhos sobre concepções alternativas, evolução conceptual, modelização, trabalho experimental, resolução de problemas, análise epistemológica, concepções e práticas de ensino, gestão curricular.

O Capitulo 1 justifica a necessidade da área científica Didáctica da Física e o Capitulo 2 caracteriza, de modo sucinto, a área científica de Educação em Ciência, de que a Didáctica da Física e um ramo, nas ultimas décadas.

Todo o livro assenta em dois resultados fundamentais da investigação Didáctica:

·  Os alunos são sujeitos epistémicos que mobilizam determinados processos no seu esforço de aprendizagem. Estes processos têm determinadas características que condicionam o que os alunos podem aprender e como podem aprender. Sabe-se que a aprendizagem e evolutiva (não se faz por saltos), tem natureza complexa e mobiliza determinados processos e entidades, ainda mal conhecidos. Além disso, tem especificidades próprias do domínio a aprender, a Física, neste caso;

·  Do ensino directo de conceitos não resultam aprendizagens de qualidade para uma parte considerável dos alunos.

Face a estes resultados fundamentais, uma boa parte da obra dedica-se a elucidar a natureza da aprendizagem conceptual de Física e dos processos e entidades envolvidos (Capítulos 3 e 4).

Como o Ensino da Física tem de tomar em conta as especificidades da sua Aprendizagem, o Capitulo 5 desenvolve, operacionaliza e exemplifica um conceito - Situação Formativa – que permite ao professor desenhar o currículo que pretende implementar, geri-lo em sala de aula e avaliar a qualidade das aprendizagens que daí resultam. Este conceito está sempre subjacente nos Capítulos subsequentes e é central em toda a obra.

Os Capítulos 6 e 7 dedicam uma parte do seu conteúdo a aprofundar a forma como se aprende Física em duas situações de aprendizagem fundamentais: a resolução de problemas (Capitulo 6) e o trabalho experimental (Capitulo 7). Procuram, ainda, abordar a resolução de problemas e o trabalho experimental tendo em conta o desenvolvimento conceptual que é necessário proporcionar aos alunos e a forma como aquelas actividades podem incorporar-se em Situações Formativas. Em particular, desenvolvem-se e utilizam-se auxiliares didácticos particularmente adaptados à natureza da Aprendizagem de Física já trabalhados no Capitulo 4, em contexto mais amplo: por exemplo, a representação gráfica no Capitulo 6; auxiliares didácticos destinados a promover o desenvolvimento conceptual através das actividades experimentais no Capitulo 7.

No Capitulo 8 abordam-se dois assuntos fundamentais para a prática lectiva: a avaliação das aprendizagens e a gestão do currículo de Física. Em ambas, há a preocupação de proporcionar coerência com os capítulos anteriores e fornecer instrumentos úteis para o Ensino da Física. O Capitulo 9 apresenta alguns métodos de ensino e alguns recursos de que o Ensino da Física pode dispor, dos quais se destaca a metodologia Trabalho por Projecto.

J. Bernardino Lopes

 

Fundação Calouste Gulbenkian – Fundação para a Ciência e Tecnologia (2004)

 



publicado por Correio da Educação às 16:40
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