12-01

Todos nós vivemos rodeados de mensagens icónicas e verbais, extremamente apelativas, que nos levam a desejar inúmeras coisas. Contudo, a maior parte das vezes, caímos na tentação e passamos ao acto de compra.

Os miúdos são os mais influenciáveis. Querem o último grito em telemóveis, consolas de jogos, ténis iguais aos deste ou daquele ídolo desportivo, roupas de marca… Os adultos, para além das roupas de marca, têm voos mais altos e desejam as casas de sonho que vêem nas revistas, os carros super caros que a televisão impinge a todo o instante, deslumbram-se com as viagens a locais paradisíacos que as agências de viagem promovem. E, segundo a publicidade, tudo é facílimo! Basta um pequeno passe de mágica, no banco mais próximo de casa: tudo se consegue com um empréstimo bancário! Considero surreal contrair-se um empréstimo para ir fazer uma viagem, nas férias do próximo ano, quando se desconhece, se se chega a essas férias. Afinal, o futuro a Deus pertence e não se sabe se a nossa vida termina no minuto seguinte ao pedido de empréstimo, ou pagamento da primeira prestação desse empréstimo. Em minha opinião, as diferenças é que nos distinguem.

Vivemos desejando ter sempre mais. Esse mais, de uma forma geral, são coisas fúteis, porque queremos ser melhores do que o vizinho. Nessa pressa de ser mais ou melhor do que o outro, esquecemos, contudo, de valorizar e gozar aquilo que temos ali à mão e que não custa nada. Esquecemo-nos de viver! Assim, para que a criança tenha tudo o que pede, limitando-se a exigir sem fazer qualquer esforço para conseguir o que quer que seja, e desconhecendo, ou fingindo desconhecer, as dificuldades que se vivem em casa, os pais endividam-se, trabalham imenso, cortam muitas vezes na alimentação, que devia ser uma prioridade em prol da saúde física e mental, em detrimento de uma boa convivência familiar, essa sim muito importante. Depois, queixam-se estes pais que dão tudo aos filhos e não entendem como eles se desviaram do bom caminho! Confessam também, muitas vezes, que passam os dias todos longe dos filhos a trabalhar, não têm tempo para estar com eles e essas prendas são uma forma de aproximação. Quanto engano! Os garotos gozam o brinquedo um ou dois dias e põem-no de lado, exigindo outro de imediato. A explicação para tudo isto é simples: actualmente vive-se para o TER, em detrimento do SER! Assim sendo, as pessoas vivem numa correria enorme, tentando comprar tudo e dar tudo aos seus, mas, nestas corridas, esquecem-se de parar, conversar, escutar os silêncios, interpretar os olhares, estender a mão, dar um beijo ou, simplesmente, dizer que amam os filhos. Isso sim, é que é importante. Estas atitudes é que criam e fortalecem os laços entre as pessoas.

Os pais precisam de aprender a dizer “Não” porque isso é educar, é ensinar a crescer. Ter muito não significa ser feliz. Ser é que é uma enorme felicidade, porque se tem o coração cheio de valores para oferecer aos outros. E isto não custa dinheiro algum, não se compra nas lojas. Está ali à mão, juntinho a nós como um abraço.

Afinal, temos tanta coisa ali à mão que não gozamos, que não valorizamos porque vivemos no sofrimento permanente que nos falta muita coisa para sermos felizes realmente!

Existem inúmeras vezes que, em vez da compra de um objecto para oferecer aos nossos filhos, para os fazer felizes, bastaria acariciar-lhes os cabelos para despentear os pesadelos e encaracolar os sonhos que comandam a vida.

Marta Oliveira Santos – Licenciatura em Filologia Românica; colaboradora de várias publicações.



publicado por Correio da Educação às 11:14
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