08-03

Marta Santos*

 

Na semana dedicada ao evento “Correntes d’ Escritas”, na Póvoa de Varzim, que reúne vários escritores, que este ano a sua sessão de abertura cabe à Ministra de Educação, Isabel Alçada, e cuja revista é uma homenagem à escritora Agustina Bessa-Luís, decidi passar para o papel a minha reflexão sobre a leitura, essa actividade tão essencial ao ser humano, não só porque lhe fornece informações diversas e necessárias à sua vida, mas também porque é uma fonte inesgotável de prazer, um estímulo intelectual e um forte enriquecimento cultural.

 

Porém, sabendo da importância da leitura, no dia-a-dia das escolas, no encontro informal entre professores constata-se que, à medida que os alunos transitam de ciclo, vão deixando de ler, vão perdendo os hábitos de leitura que parecia terem adquirido. Assim, no 3.º ciclo verifica-se unicamente a leitura dos textos dos manuais e bastante desinteresse pela leitura recreativa. Porquê?

Porque, em primeiro lugar, é preciso que os professores gostem de ler e invistam na leitura dos alunos.

Porque é preciso, por exemplo, para as visitas de estudo, pôr os alunos a investigar em livros e a prepará-las, obrigando-os assim a ler.

Porque é preciso que os professores seleccionem adequadamente os livros e procurem ir ao encontro dos gostos dos alunos.

Porque, talvez, seja necessário modificar estratégias de aula e pedir aos alunos que leiam pequenos contos e os apresentem de forma criativa aos colegas.

Porque, se os professores levarem as ilustrações das capas e os respectivos títulos dos livros e pedirem aos alunos para construírem a possível história oralmente e, posteriormente, confrontarem o que narraram com o livro, talvez consigam motivá-los para a leitura.

O PNL, lançado pela Dr.ª Isabel Alçada, fez um grande investimento na leitura, dando possibilidade às escolas de adquirirem livros e disponibilizá-los aos alunos quer em sessões de leitura, em situação de aula, quer colocando-os à sua disposição nas bibliotecas escolares. Aliás, o currículo prevê ainda um tempo lectivo da área curricular não disciplinar – estudo acompanhado – para a leitura. Lembrando Daniel Pennac, “verbo ler não se conjuga no imperativo: Lê!”. Logo, esta imposição de ler na aula de estudo acompanhado, por obrigação, não dará muito resultado.

Verifica-se no dia-a-dia escolar, nos registos da biblioteca, que os alunos dos 1.º e 2.º ciclos são os que mais lêem e, quando transitam para o 3.º ciclo, deixam de o fazer (lembro que não há regra sem excepção!). Esta constatação, posso afirmar, é generalizada, não é só de uma, ou da minha, escola! Que motivo justifica este afastamento dos alunos dos livros, da leitura?

Talvez os programas do 3.º ciclo sejam demasiado extensos, obrigando os professores a abdicar da hora da leitura para consolidar conteúdos ou esclarecer dúvidas aos alunos. Talvez haja necessidade de cativar os jovens de outra forma mais atraente para a leitura. Talvez exista a necessidade de criar acções de formação destinadas aos professores com sugestões de motivação para a leitura, para os alunos (e até para os próprios professores, deixem-me fazer este reparo).

Acredito que, se o professor não lê, não pode criar espaços na sala de aula, ou fora dela, para a leitura. Se o professor não partilha o prazer da leitura, como poderá criar leitores?

A agravar o desinteresse pelos livros, a provocar a fuga aos livros, surgiram os computadores. Verifico-o diariamente na biblioteca onde os alunos, na sua generalidade, vão pesquisar determinados assuntos pedindo, de imediato, para ir ao computador. É o trabalho mais fácil: copiam e colam. Não filtram nada. Não têm espírito crítico. Não lêem. Quando os questiono sobre o significado de um vocábulo, ou sobre o uso daquela estrutura frásica, ou o recurso ao gerúndio ou às formas perifrásticas, admiram-se, encolhem os ombros e sorriem.

Valha-me o sorriso que me dá força para acreditar que, um dia, eles encontrarão prazer na leitura. E continuo em crer que os alunos não têm culpa deste desinteresse pelos livros. O écran do computador tem mais cor, é mais sugestivo, mas, ainda assim, os alunos não lêem em formato digital os livros tão sugestivos que aí aparecem. Mas está nas mãos dos professores não deixar que os livros morram.

A mudança é necessária e o exemplo tem de vir de cima. Se o professor não leva livros para a sala de aula, não partilha o prazer da leitura, não dá o exemplo de frequentador da biblioteca para consultar livros e/ou ler, como poderá criar leitores?

Ler é uma janela aberta para o mundo, é uma forma de evasão. Se a leitura não fizesse parte da minha vida, já teria morrido de fome e solidão.

 

 

Marta Oliveira Santos – Licenciatura em Filologia Românica; colaboradora de várias publicações.

 

 



publicado por Correio da Educação às 12:53
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2 comentários:
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