16-04

 

* Teresa Martinho Marques



Conheço a Vânia há pelo menos três anos. Uma jovem professora de TIC que se cruzou comigo por altura de um encontro em que divulguei a ferramenta Scratch. Já lecionou na Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Setúbal e trabalha numa escola perto da minha. No ano que passou desenvolveu um trabalho excelente neste contexto com uma turma de Percurso Curricular Alternativo - 9.º ano. Já frequentou uma sessão prática sobre o Scratch (que fiz no Seminário G 550) e continua a desenvolver um trabalho empenhado com os seus alunos, arriscando investir em ferramentas que poucos ainda usam.


Há poucos dias entrei no Facebook e encontrei esta sua frase junto de uma ficha de trabalho do final dos anos 80, no tempo em que frequentou o 2.º ciclo do ensino básico: E foi assim que me apaixonei pela informática... Linguagem Logo - 88/89 - Esc. Prep. Luísa Todi.



* EB 2,3 de Azeitão e CCTIC – ESE/IPS: http://projectos.ese.ips.pt/cctic/ e http://eduscratch.dgidc.min-edu.pt/     




publicado por Correio da Educação às 14:41
link do post | comentar | ver comentários (5) | adicionar aos favoritos

26-03

* Rosa Duarte

Mais uma vez o percurso queirosiano de Sintra. No inefável paraíso romântico cantado por Lord Byron e por uns quantos mestres do sentimento e do ofício, foi feita a nossa representativa investida escolar, ao jeito de Carlos da Maia à procura de Maria Eduarda. Com uma curiosidade cultivada pelo revisitado itinerário, à luz de um sol protegido por nuvens Magritte, fomos encorajados pela beleza mais espontânea a elevar os sentidos. Houve até quem ousasse trepar à Pena.

 

* Professora do Ensino Secundário



publicado por Correio da Educação às 15:44
link do post | comentar | ver comentários (2) | adicionar aos favoritos

12-03

 

 

* Teresa Martinho Marques

 

Temos o vício do Passado. Temos a ideia de que tivemos um tempo que já não é este. No meu tempo é que era! No meu tempo, isso sim! No meu tempo, quem me dera!


Temos o vício de um certo Futuro. Do futuro-caos, do futuro-triste, do futuro-desalentado. Do nem vale a pena porque já sei o que vai acontecer. Do para quê? Do por que razão? Antes fosse o vício de um futuro-sonho, futuro-motor, futuro-asa, futuro-visão…


Raros são os que têm um vício bom de Presente. Um vício de prestar atenção ao caminho, ao que é, ao que se tornou, no natural evoluir dos anos. Um saudável vício de o tornar perfeito com o que de mais imperfeito temos neste tempo. Este tempo que é o único a que podemos chamar nosso, o único onde podemos mexer, que podemos pintar, moldar, esculpir, empurrar, aproveitar, desperdiçar, aproveitando as aprendizagens do passado, mas sem ficar preso nele.


E praticamos frequentemente a arte do desencontro com imensa mestria: cada um vivendo no tempo que lhe convém, à hora diferente do tempo de quem está mesmo ali ao seu lado. Depois o remorso e a culpa.

 


* EB 2,3 de Azeitão e CCTIC – ESE/IPS: http://projectos.ese.ips.pt/cctic/ e http://eduscratch.dgidc.min-edu.pt/    




publicado por Correio da Educação às 15:22
link do post | comentar | ver comentários (126) | adicionar aos favoritos

27-02

 

* Rosa Duarte

 

Escrever é dos atos mais abnegados que conheço. Deixamos de estar presentes no circuito diário e autossacrificamo-nos pela causa, entregando-nos à ausência física. Como um pretexto para não socializar. Para não estarmos, quando se trata de um ato cabal de entrega. Como também é o de pintar um quadro ou compor uma música ou decorar uma iguaria. Sempre observadores do fenómeno da existência, existindo para pensá-la e interpretá-la, num ângulo novo, com uma microcâmara cinematográfica apensa ao pensamento que vai viajando, registando e recriando todos os lugares e situações representadas na mente. Então dei por mim a pensar: como seria o cinema sem texto, o teatro sem texto, a conversa sem texto, a pessoa sem texto, o amor sem texto? Escrever um texto com maturação é um fenómeno de criação solitária. Muito gratificante, quando resulta em beleza e dignidade. Muito estruturante para a formação cultural de uma sociedade. Porque as palavras escritas são saboreadas pelos apreciadores como o mosto do bom vinho amiudamente corrigido com um açúcar que se quer finamente escolhido. As palavras são escolhidas, ajustadas, substituídas, retocadas, temperadas numa criatividade individual e aficionada. Mesmo num livro de coautoria. Contudo, há textos que não queremos partilhar, o que pode significar que ainda não estamos preparados para os expormos, por causa do assunto ou por outro motivo, sobretudo a um grupo alargado de pessoas ou mesmo ao público anónimo. Ou que iremos simplesmente retocá-lo um dia. Contudo, quando escrevemos e sentimos a nossa escrita como uma conversa bem conduzida ou uma história empolgante ou uma experiência reflexiva, queremos partilhar o nosso ponto de vista pela interpretação que apresentamos sobre uma realidade, e a nossa vontade é que todos acedam a esse escrito de modo fácil e voluntário. Sem pressões nem condições. Ouvindo/lendo com possibilidade de comentar. Para o autor, é agradável receber algum «feedback» de quem lê, mesmo que de forma muito apressada ou desprendida.

 

* Professora do Ensino Secundário                                                                                       



publicado por Correio da Educação às 14:23
link do post | comentar | ver comentários (23) | adicionar aos favoritos

23-01

* Conceição Courela

 

Muito se tem falado em trabalho colaborativo, cooperativo, de grupo… não só entre alunos, mas também entre professores e outros profissionais. Será um politicamente correto que podemos (e devemos) evitar? Uma moda? Ou um caminho que pode valer a pena encetar e percorrer?


Enquanto profissionais lidamos com conhecimentos que outros (e nós próprios) temos de aprender. Se já não acreditamos que as aprendizagens se dão por transmissão (ou magia?), mas que é necessária uma predisposição para aprender (Knowles, 1986), cabe-nos criar ambientes favoráveis a essa aprendizagem. Ambientes permeados de afetos (Strecht, 2008), em que os alunos e o professor se assumem como seres sociais, dialogantes e que, nesse diálogo, constroem o conhecimento (por exemplo, quando se dispõem a seguir raciocínios, que lhes permitem ligar o que é novo ao que já sabiam). Este conhecimento, inicialmente partilhado, torna-se de cada um, quando cada um o integra na sua estrutura cognitiva, ou seja, quando dele se apropria. Por isso mesmo, o conhecimento não se pode adquirir… é algo que se torna meu, mas que começa por ser nosso… algo de que nos apropriamos (César, 2009).

 

 

 

 

* Docente do Ensino Secundário, colaboradora da Universidade Aberta, doutorada em Educação/Pedagogia



publicado por Correio da Educação às 15:45
link do post | comentar | ver comentários (4) | adicionar aos favoritos

09-01

 

* Teresa Martinho Marques


Não deixo acumular as mensagens no correio eletrónico. Não deixo acumularem-se as novidades do digital, trazidas por amigos e colegas Não deixo adensarem-se as novidades, que eu própria procuro ao preparar as muitas ações que o ano de 2012 trará. Isso significa nunca interromper o fluxo de trabalho digital, nem mesmo nas épocas festivas como a que passou. Verdade seja dita, nos tempos em que era tempo de presentes, tão pouco deixava acumular as obrigações das festas e chegava a dezembro serenamente sem compras para fazer. Talvez seja coisa minha, talvez aguçado instinto de sobrevivência. Sou rápida para poder ser lenta. Sou organizada para poder ter um tempo vazio e desordenado à minha espera. Adio a gratificação para saborear a cobertura doce do bolo no final de cada dia. Adormeço sem insónia com a leveza do dever cumprido.


Gosto de abrir a caixa do correio e não a ver invadida com muitos centímetros de escuro por ler. Lido mal com a densidade das coisas reais e digitais. Falta-me ar se o espaço não tiver uma dose essencial de luz e branco à minha espera. Não sei exatamente como aprendi a lidar com a avassaladora velocidade dos dias e da informação que nos invade dentro deles. Não foi a escola, acho. Ou terá sido? Defendo-me sendo egoísta no meu tempo de rede. Escrevo para os outros, mas começo a conter o desejo de dizer. Bebo menos o que os outros oferecem, mas aprendo a arte de escutar. Seleciono com precisão cirúrgica o que quero. Apago, arrumo, escondo tudo o que não me apetece. Recuso bem mais do que aceito. Aprendo a apreciar o silêncio como a palavra mais importante dos anos que estão para chegar.

 

 

* EB 2,3 de Azeitão e CCTIC – ESE/IPS: http://projectos.ese.ips.pt/cctic/ e http://eduscratch.dgidc.min-edu.pt/    



publicado por Correio da Educação às 15:07
link do post | comentar | adicionar aos favoritos

02-01

 

 

* Inês Silva

O percurso casa-escola e escola-casa é feito diariamente por milhares de alunos, pais e professores, com uma certa fé de que o que vai acontecer a seguir vale a pena. Nesse mesmo percurso, tudo pode ser visto, caso o viajante não vá alheado do mundo, absorto nos seus pensamentos, a caminhar como um autómato, o que por vezes acontece.
Em 1991, Maria vinha da escola no autocarro, distraída, muito distante dos outros passageiros, embora encostada a eles. Com dezassete anos, a vida espraiava-se à sua frente e a força do corpo para realizar o impossível aumentava em cada instante. Embora ciente da imperfeição do mundo, dado o facto de a mãe ter saído de casa meses antes, levando-a a ela e à irmã, por não aguentar mais os maus tratos do marido, Maria tinha esperança de que a separação fosse o início de uma nova vida para todos.


* Doutora em Linguística (Sociolinguística). Professora Adjunta convidada na Escola Superior de Educação de Santarém. Tem realizado estudos sobre a escrita dos alunos. É autora de várias publicações de caráter didático e de caráter linguístico. Na ficção, publicou o romance: A Casa das Heras.



publicado por Correio da Educação às 14:56
link do post | comentar | adicionar aos favoritos

22-12

Lídia Marques & Paula Costa

 

“Quem não conhece línguas estrangeiras, não sabe nada da própria." Assim profetizava Goethe. Tal afirmação não poderia ser mais atual. Numa sociedade que se quer cada vez mais aberta aos outros, é fundamental alargar os horizontes pessoais, incentivar os mais novos, partilhar referências que fazem parte da nossa cultura e da nossa história, dar-lhes as ferramentas de que precisarão para se moverem num mundo cada vez mais exigente, uma aldeia global que não cessa de crescer e que está cada vez mais perto de nós. Uma geração que sabe menos é uma geração mais pobre. Por isso, as línguas constituem a chave fundamental para compreendermos os outros povos, irmos aos encontro das suas diferenças, encontrarmos semelhanças, partilharmos experiências, oportunidades, concretizarmos sonhos.


A Europa promove, todos os anos, no dia 26 de Setembro, o Dia Europeu das Línguas. É a oportunidade para lembrar que a aprendizagem das línguas é imprescindível, numa Europa cada vez mais interdependente. Esta comemoração assenta no princípio de que a diversidade linguística é um dos pontos fortes da Europa e que a aprendizagem das línguas contribui para reforçar a tolerância e a compreensão mútua. Em 2005, 146 países membros da UNESCO apelaram, numa convenção internacional, para a importância do plurilinguismo, salientando a necessidade de aprender várias línguas, para assegurar uma melhor diversidade cultural no mundo. As línguas não são só ferramentas propícias à comunicação mas refletem e transmitem igualmente perceções do mundo que nos rodeia, e no qual se inserem os nossos jovens.

 


 




publicado por Correio da Educação às 15:49
link do post | comentar | ver comentários (15) | adicionar aos favoritos

12-12

 

* Teresa Martinho Marques



(Algumas histórias contadas, com muitos sorrisos, pelos professores que frequentaram a Oficina de Formação – Scratch e Matemática – 1.º Ciclo e Pré-escolar do CCTIC-ESE/IPS - e se atreveram a aventuras especiais com os seus alunos, mesmo depois de um tempo relativamente curto de aprendizagem da ferramenta Scratch).

... Eles são tão bebés no falar (quatro/cinco anos), mas nos nomes dos dinossauros acertam sempre e sem nenhuma falha de dicção... Pusemos o Apatossauro a andar de um lado do ecrã para o outro utilizando o “desliza num segundo, para determinados pontos x e y”, e um dos alunos diz logo: “O Apatossauro não anda tão depressa. Eles andavam muito devagarinho!”. Ora, por defeito, o comando de programação “desliza” tem 1 segundo de tempo marcado... Perguntei-lhe: “Já viste ali o número 1(segundo) do tempo que ele anda... Se queres mais devagar o que devemos fazer?” A resposta pronta: “Professora tem de ser um número maior de segundos!”... (a física intuída aos cinco anos – relação espaço/tempo = velocidade)... “E tu conheces um número maior que um?”... “Sim!... o seis!”. Descobriu o seis no teclado e experimentou... “E agora?”... “Oh... ainda não dá... está médio”! “Hummm... então que fazemos agora?”… “Pomos outro maior!”... “E conheces mais algum?”...  “Sei o oito!”... Experimentou e... “Está quase, mas tinha de ser mais!”... é que ele ainda não conhece números maiores do que oito.  Então agarrei nas mãozinhas dele, levantei-as, abriu os dedinhos e eu recordei o número dez! Ele escreveu esse número, com a minha ajuda e ficou feliz com o resultado. “Agora é que está mesmo bem! Com o dez – dedos no ar – é que fica bem!”.

 

* EB 2,3 de Azeitão e CCTIC – ESE/IPS: http://projectos.ese.ips.pt/cctic/ e http://eduscratch.dgidc.min-edu.pt/    





publicado por Correio da Educação às 15:46
link do post | comentar | adicionar aos favoritos

05-12

* Rosa Duarte

 

Os gajos morrem em média cinco anos mais cedo do que elas, dizias-me tu, jovem rapaz a propósito da viuvez, num tom sentido de constatação. Uma conversa sobre viuvez que te incomoda pela solidão. Daquele paradoxo de solidão que serve de alimento aos idosos pelas recordações silenciosas remoídas por suspiros dolorosos e os precipitam para a linha que se entende terminal da sua história nem sempre partilhada. Tu és um adulto jovem que teima em pensar na avó. Sim, ser velho não é doença. Muitas doenças nascem no pensamento. Ah, pois, é mais uma longeva num misto de passado-presente que a divide, confunde e domina e a faz desejar o momento zénite, aquele êxtase de horizonte excelso, alojado para além do seu semicerrado de olhos pesado e pensativo, crente no troféu paradisíaco sonhado, pleno de calorosos encontros. Há beleza até nas rugas como sorrisos em linha de pontas cruzadas numa expressão de despedida. Reparas que o final se prepara para ultrapassar a fasquia da vida no fio de prumo da estrada, com a cumplicidade do azul imenso. Aparentemente sem esforço nem súplica. Imaginas qual será o horizonte da sua mente, sempre em perspectiva, porque é daquelas que não conhece desistências nem derrotas na peregrinação identitária. Vejo que a encorajas: é só mais um troço de caminho, avó. Pensas no sentido da vontade dos passos lentos de quem ainda observa os instantes por palavras respiradas. Sempre com o tal horizonte no fundo do olhar alagado. Ficará à vista na hora do crepúsculo à beira vida? Crês que sim, tu próprio o vislumbras nela estampado; acender-se-á aquela linha luminosa verde ao fundo no último estertor de sol, e o seu derradeiro desejo realizar-se-á…

 

* Professora do Ensino Secundário



publicado por Correio da Educação às 15:30
link do post | comentar | adicionar aos favoritos


CONTACTOS

ce@asa.leya.com
pesquisa
 
Correio Disciplinar
Ciências Sociais e Humanas
Línguas e Literaturas
Ciências Exatas e Experimentais
Expressões
Escola em destaque
Escola Secundária Alcaides de Faria
Agenda


arquivo
Ligações
Parceiros
subscrever feeds