30-04

 

 

* José Matias Alves

É recorrente a ideia que emerge da investigação: as escolas têm uma identidade, um ethos que
envolve e alimenta a ação de generalidade das pessoas. A identidade é uma marca cultural
poderosa que regula de modo invisível a ação das pessoas que trabalham na escola. E é ainda
um poderoso fator de valorização, credibilidade e procura social.

A identidade de uma escola decorre de muitos detalhes: tem a ver com a forma como organiza
os espaços, com a forma como os utiliza e dinamiza; com os suportes e os conteúdos de
comunicação; com os valores que regulam o pulsar da organização e que se veem de muitos
modos; com os modos de organizar a relação entre alunos, entre professores e alunos, entre
funcionários e alunos; entre professores e encarregados de educação; com a forma de lidar
com os problemas e os erros; com a forma de olhar, analisar e trabalhar os resultados da ação
educativa; com os modos de responsabilidade que se adotam. E com os ideais e os sonhos que
são permitidos, sugeridos e acalentados.

 

 

* José Matias Alves é investigador, doutor em Educação e professor convidado da Universidade Católica Portuguesa.

 



publicado por Correio da Educação às 15:03
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15-04

 

 

* José Matias Alves

 

Como se sabe, a pedagogia requer a capacidade de ver o nosso próximo, de reparar, de reconhecer, de intervir. De ver os alunos, nas suas singularidades e diferenças, de os conhecer nos seus talentos, nos seus limites, nas suas necessidades. Mas de ver também os professores, exatamente nas mesmas dimensões para que se constitua e desenvolva uma comunidade profissional de aprendizagem que esteja ao serviço de um ensino mais eficaz.


A pedagogia é a ciência e a arte do provável, do incerto e que joga a sua eficácia num sem número de variáveis que não é possível determinar a priori. Por isso, a centralidade da proximidade e da atenção para que seja possível compreender o que se (não) passa e se tomar a decisão mais adequada.

 



publicado por Correio da Educação às 15:38
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31-03

* José Matias Alves

Reforçar o tempo prescrito para a lecionação das disciplinas fundamentais; reforçar as horas nas disciplinas da tradição escolar; valorizar (supostamente) o conhecimento social e humano; reforçar a carácter transversal da educação para a cidadania; promover o rigor na avaliação obtendo dados fiáveis sobre a aprendizagem e transformar as provas aferidas do 4.º ano em exames com impacto nos resultados dos alunos; prestar maior acompanhamento aos alunos; flexibilizar a duração dos tempos curriculares, permitir que as escolas adotem uma disciplina no 7.º e 8.º ano: eis alguns dos propósitos das medidas anunciadas pelo Ministério da Educação.

 

 

* José Matias Alves é investigador, doutor em Educação e professor convidado da Universidade Católica Portuguesa.



publicado por Correio da Educação às 18:14
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16-03

* José Matias Alves

 

Vivemos tempos críticos. De uma incerteza, de uma errância, de uma deriva, de um desnorte aflitivo. Tempo maquinal. De uma desvinculação, de uma apatia, de uma resignação que será o nosso fim. Como professores agindo em organizações educativas de rosto humano. Como autores de novos mundos. Como geradores de esperança num futuro um pouco melhor.

 

Movimentos de agregação de escolas e agrupamentos à margem da lei, sem critério organizacional, pedagógico e educativo. Com o objetivo de cumprir uma meta vendida pelo governo de José Sócrates à troika. Em nome da racionalização de meios e de uma suposta e imaginária promoção da qualidade educativa. Na prática, e em termos gerais, significam a desistência da construção da escola como comunidade educativa e a instauração definitiva da balcanização, da anarquia organizada e da burocracia sem fim.

 * José Matias Alves é investigador, doutor em Educação e professor convidado da Universidade Católica Portuguesa.



publicado por Correio da Educação às 10:31
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28-02

 

* José Matias Alves

1) Sirva de referência e mote este exemplo triste:

Decreto Regulamentar nº 26/2012 de 21 de fevereiro
Nos termos do disposto no n.º 4 do artigo 40.º do Estatuto da Carreira dos Educadores de Infância e dos Professores dos Ensinos Básico e Secundário, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 139-A/90, de 28 de Abril, alterado pelos Decretos-Leis n.os 105/97, de 29 de Abril, 1/98, de 2 de Janeiro, 35/2003, de 27 de Fevereiro, 121/2005, de 26 de Julho, 229/2005, de 29 de Dezembro, 224/2006, de 13 de Novembro, 15/2007, de 19 de Janeiro, 35/2007, de 15
de Fevereiro, 270/2009, de 30 de Setembro, 75/2010, de 23 de Junho, e 41/2012, de 21 de fevereiro, e nos termos da alínea c) do artigo 199.º da Constituição, o Governo decreta o seguinte:

 

 

* José Matias Alves é investigador, doutor em Educação e professor convidado da Universidade Católica Portuguesa.



publicado por Correio da Educação às 14:32
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14-02

* José Matias Alves

Um dos mais interpelantes desafios que se coloca ao desenvolvimento da educação portuguesa – o mesmo é dizer: à aprendizagem de todos aqueles que se deseja constituam as comunidades educativas – é saber agir nos nós das redes que possam elevar os patamares de aprendizagem individual e coletiva.
Seguindo de perto Bolívar (2012), citemos os sete fatores que estão por detrás de melhorias sustentáveis:

 

* José Matias Alves é investigador, doutor em Educação e professor convidado da Universidade Católica Portuguesa.




publicado por Correio da Educação às 14:44
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30-01

* José Matias Alves

 

Há mais de 20 anos que se vem reiterando a vontade política do ensino profissional mobilizar 50% dos alunos que frequentam o ensino secundário. No contexto de uma escolarização obrigatória durante 12 anos, torna-se mais premente revisitar este tópico e perceber por que motivo tem sido impossível atingir esta meta.


A razão maior é simples: não se tem atingido esta meta porque o ensino profissional não tem valor social, empresarial, familiar para atrair as pessoas. E por que é que não há este valor e esta força de atração?

 

Por duas razões maiores: i) porque os nossos empregadores não oferecem, em regra,  aos diplomados por este ensino uma carreira profissional cativadora (em termos de prestígio, status, remuneração e carreira, provavelmente por não verem as mais valias desse conhecimento para o aumento da produtividade organizacional; ii) porque o sistema de ensino trata esta via de ensino como a via para os deserdados do sistema regular não lhe conferindo a qualidade e o prestígio escolar que lhe seria devido.

 


* José Matias Alves é investigador, doutor em Educação e professor convidado da Universidade Católica Portuguesa.



publicado por Correio da Educação às 14:00
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16-01

 

* José Matias Alves

 

Está em curso mais uma reforma curricular. Mais hora ou menos hora. Tira aqui e coloca ali. Reforçando a visão disciplinar do conhecimento. Decretando que os conhecimentos mobilizáveis para agir, conhecer, intervir e transformar o mundo e dar sentido à vida não têm dignidade curricular. Só o conhecimento puro (mesmo que seja o sistema nervoso da mosca que para “nada” serve) é que importante.


Está em curso uma suposta mudança de paradigma. Mas não se conhece o horizonte, a substância, a rota, o rumo. Vive-se na era do vazio, da incerteza e da ameaça. De cortes e de asfixia. Com os diretores das escolas transformados nos chefes de secretaria preenchendo formulários eletrónicos nas plataformas centrais. Com os professores cansados de tanta mudança inútil porque não toca no essencial.

 


* José Matias Alves é investigador, doutor em Educação e professor convidado da Universidade Católica Portuguesa.



publicado por Correio da Educação às 10:00
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13-12

 

* José Matias Alves



Continuamos a viver num sistema marcado por várias ilusões: a ilusão do comando e do controlo, a ilusão do poder dos decretos e do diário de república (vasto cemitério de leis); a ilusão das lideranças heroicas, salvíficas e solitárias; a ilusão da comunidade educativa; a ilusão dos projetos, planos e programas.
Nesta crónica defendemos a tese de que quando há um excesso de planificações, planos e projetos a realidade tende a ficar muito aquém do desejado e previsto. Mais: tende a ser substituída pelas ficções das narrativas que se escrevem ou esquematizam. Partindo de Pfeffer e Sutton (2000, 2006) identificamos 5 barreiras à ação resultantes deste excesso:

1. Quando o discurso e a escrita substituem a ação. Na arena escolar, muitas vezes basta escrever para não ter de agir. Outras, o esforço de planificar esgota a vontade, a energia ou tempo para concretizar. Outras ainda, o que interessa, segundo a boa regra burocrática, não é o fazer mas o que se escreveu sobre o que se vai fazer ou sobre o que já se fez.

2. Quando a memória substitui a nova ação. A ênfase da planificação alimenta-se, em regra, da memória, do passado e isso dificulta um ajustamento às novas realidades emergentes.

 

 

* José Matias Alves é investigador, doutor em Educação e professor convidado da Universidade Católica Portuguesa.



publicado por Correio da Educação às 15:16
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29-11

* José Matias Alves



Todos conhecemos alunos que não queriam ir para a escola: porque as matérias nada lhes diziam, porque as aulas eram uma seca, porque precisam de biscatar para ajudar a família, porque e porque.


Começam agora a surgir os alunos que não querem sair da escola. Que adiam a conclusão do 12.º ano, que deixam deliberadamente uma disciplina para trás, ou a prova de aptidão profissional. Mesmo quando expectavelmente, no caso dos cursos profissionais, podem ter acesso a um emprego.

 

 

 

* José Matias Alves é investigador, doutor em Educação e professor convidado da Universidade Católica Portuguesa.



publicado por Correio da Educação às 11:54
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