26-11

 

* José Matias Alves

 

Há muito tempo já escrevi sobre o insustentável peso de ser. O insustentável peso de ser professor numa ordem que desconfia, menoriza, oprime. O peso da sobrerregulamentação, das rotinas asfixiantes e da inércia que nos esvazia. O peso de um mandato social claramente excessivo, claramente impossível, de uma arrogância que tudo prescreve, quase tudo ignora. O peso de uma pobreza de pensamento que se diz ao serviço da democratização, da competitividade, da meritocracia, da diferenciada igualdade de oportunidades.

 

* José Matias Alves é investigador, doutor em Educação e professor convidado da Universidade Católica Portuguesa.



publicado por Correio da Educação às 15:00
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12-11

 

* José Matias Alves

 

A escola é hoje um lugar fragilizado pelo excesso de mandatos onde as promessas educativas têm muita dificuldade em cumprir-se. As promessas de realização pessoal, de integração ativa na sociedade, de preparação para uma vida profissional, de mobilidade social ascendente estão muito mais ameaçadas pelo signo do incumprimento.

 

 



publicado por Correio da Educação às 15:00
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22-10

 

 

* José Matias Alves

Com este título, o jornal Público, no suplemento dedicado ao Ranking das escolas (13 de outubro, 2012) sublinhava o copo meio vazio. Se metade das escolas ficaram abaixo, a outra metade ficou no valor ou acima do esperado pelo efeito da conjugação das variáveis habilitações médias dos pais, profissões dos pais, escalão A da ação social escolar.
Não vamos aqui discutir o conceito de valor esperado, na sua validade e fiabilidade. Vamos admitir que as possui a nível do suficiente para ser uma medida útil.
 A questão que nos interessa é tentar perceber, mantendo controladas variáveis de contexto,  que fatores geram esse resultado.
Enunciemos algumas hipóteses que terão tanto maior poder explicativo quanto mais se conjugarem entre si:

 

 

 

* José Matias Alves é investigador, doutor em Educação e professor convidado da Universidade Católica Portuguesa.



publicado por Correio da Educação às 15:00
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17-09

 

 

* José Matias Alves

No processo de escolarização há três regras fundamentais que importa considerar e fazer com que sejam adotadas: são as regras P.C.P., i.e., Persistência, Consistência e Previsibilidade.

A persistência tem a ver com a determinação no cumprimento das tarefas, com o sentimento de não desistir, com o desenvolvimento da capacidade de auto-organização. A vida escolar está cheia de obstáculos de natureza diversa. Persistir nas tarefas é ser resiliente, é alcançar os objetivos, é melhorar a autoestima, é aumentar as probabilidades de sucesso.

 

 

 

* José Matias Alves é investigador, doutor em Educação e professor convidado da Universidade Católica Portuguesa.



publicado por Correio da Educação às 09:58
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30-06

* José Matias Alves

Um ano difícil chega ao fim! Sossegados os professores com uma avaliação do mérito reservada aos contratados que não têm poder de influência e de manobra e diferida para os demais para tempos incertos, acionou-se de novo o Diário da República como agência principal da reforma.


O currículo volta, uma vez mais, a ser alterado seguindo um padrão conhecido, mas não mexendo em nada de essencial nem alterando, só por si, a qualidade das aprendizagens.

As agregações de escolas e agrupamentos voltaram à agenda depois da fúria inicial do governo anterior, em nome de uma escolaridade obrigatória de 12 anos e de uma maior articulação, mas  ocultando as razões reais de natureza económica (alguma poupança pouco expressiva) e de natureza política (um suposto mas ilusório maior controlo central).

 


* José Matias Alves é investigador, doutor em Educação e professor convidado da Universidade Católica Portuguesa.



publicado por Correio da Educação às 16:46
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18-06

 

 

* José Matias Alves

O célebre efeito Mateus (desenvolvido pelas teorias económicas) retoma a célebre parábola bíblica do senhor que chamou os seus servos, dando a um 5 talentos, a outro 2 e ao terceiro 1 talento e recomendando que os fizessem frutificar.

O que recebeu 5 trabalhou e conseguiu outros 5. O que recebeu 2 agiu do mesmo modo e conseguiu 4. O que recebeu 1, com medo que o roubassem, foi escondê-lo debaixo da terra.

O senhor regressou, chamou os servos e pediu-lhes contas pelos talentos dados. O que tinha recebido 5 apresentou 10; o que tinha recebido 2 apresentou 4; o que recebera 1 apresentou-o e devolveu-o.

E então o senhor louvou os que tinham duplicado os talentos. E pegou no talento que tinha estado enterrado e ordenou:
– Tirai-lhe o talento e dai-o ao que tem dez. Porque, a todo aquele que tem, será dado mais, e terá em abundância. Mas ao que não tem, até o que tem lhe será tirado. (Mateus, 25, 28-29)

 

 

 

* José Matias Alves é investigador, doutor em Educação e professor convidado da Universidade Católica Portuguesa.



publicado por Correio da Educação às 14:45
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31-05

* José Matias Alves

A escola é um espaço tempo de aprendizagem. Este é o foco que deve mobilizar a atenção de todos os responsáveis pela ação educativa. A planificação, a organização e as decisões devem visar a criação de melhores oportunidades de aprendizagem. Em primeiro lugar, a aprendizagem dos alunos. Nenhum pode ficar à margem deste processo de crescimento. Mas também a aprendizagem dos professores, dos funcionários e dos pais e encarregados de educação. Todos são convocados para aprender novos conceitos, novas visões e disposições, novos métodos que aumentem as probabilidades de aprender. Como dizia António Nóvoa, o centro (e o sentido) da escola é a aprendizagem e as pessoas que a realizam.

 

 

* José Matias Alves é investigador, doutor em Educação e professor convidado da Universidade Católica Portuguesa.



publicado por Correio da Educação às 15:30
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14-05

 

 

* José Matias Alves

Neste tempo de turbulências, destruição de identidades, agregações forçadas, promessas salvadoras de mais exames será interessante rever o que dizem Stoll e Fink sobre as caraterísticas das escolas que desenvolvem processos sistemáticos de melhoria de processos e resultados educativos.

Como acontece de forma algo recorrente, há um decálogo de boas práticas indiciadoras desta dinâmica, a saber:

i) Nós sabemos para onde vamos. Esta partilha de visão e de metas a atingir é de grande relevância, pois não há vento favorável para quem não sabe para onde quer ir. E, no caso da escola, esta consensualização do horizonte, esta explicitação das metas cognitivas, emocionais, relacionais… que é preciso fazer os alunos alcançar é de vital importância, dado o número de intervenientes na ação educativa. Se isto se não consegue, o mais provável é a instituição da dinâmica da desconexão e da anarquia. A quase certeza do naufrágio.

 


* José Matias Alves é investigador, doutor em Educação e professor convidado da Universidade Católica Portuguesa.



publicado por Correio da Educação às 15:31
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30-04

 

 

* José Matias Alves

É recorrente a ideia que emerge da investigação: as escolas têm uma identidade, um ethos que
envolve e alimenta a ação de generalidade das pessoas. A identidade é uma marca cultural
poderosa que regula de modo invisível a ação das pessoas que trabalham na escola. E é ainda
um poderoso fator de valorização, credibilidade e procura social.

A identidade de uma escola decorre de muitos detalhes: tem a ver com a forma como organiza
os espaços, com a forma como os utiliza e dinamiza; com os suportes e os conteúdos de
comunicação; com os valores que regulam o pulsar da organização e que se veem de muitos
modos; com os modos de organizar a relação entre alunos, entre professores e alunos, entre
funcionários e alunos; entre professores e encarregados de educação; com a forma de lidar
com os problemas e os erros; com a forma de olhar, analisar e trabalhar os resultados da ação
educativa; com os modos de responsabilidade que se adotam. E com os ideais e os sonhos que
são permitidos, sugeridos e acalentados.

 

 

* José Matias Alves é investigador, doutor em Educação e professor convidado da Universidade Católica Portuguesa.

 



publicado por Correio da Educação às 15:03
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15-04

 

 

* José Matias Alves

 

Como se sabe, a pedagogia requer a capacidade de ver o nosso próximo, de reparar, de reconhecer, de intervir. De ver os alunos, nas suas singularidades e diferenças, de os conhecer nos seus talentos, nos seus limites, nas suas necessidades. Mas de ver também os professores, exatamente nas mesmas dimensões para que se constitua e desenvolva uma comunidade profissional de aprendizagem que esteja ao serviço de um ensino mais eficaz.


A pedagogia é a ciência e a arte do provável, do incerto e que joga a sua eficácia num sem número de variáveis que não é possível determinar a priori. Por isso, a centralidade da proximidade e da atenção para que seja possível compreender o que se (não) passa e se tomar a decisão mais adequada.

 



publicado por Correio da Educação às 15:38
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