05-12

 

* Teresa Martinho Marques

Sim, eu sei. Tempos difíceis.


Mas não poderemos virar costas a perguntas e a reflexões que são importantes, mesmo que não pareçam prioritárias.


Os Magalhães ― que nas mãos certas, nas escolas certas, com os professores certos, em projetos nacionais e internacionais e iniciativas louváveis/formação por parte da Equipa de Recursos Tecnológicos Educativos e respetivos Centros de Competência TIC espalhados pelo país, têm sido fonte de muita inovação de práticas em contexto de sala de aula ― vão desaparecer. Chegará o dia em que os últimos alunos que os têm ainda na sua posse os levarão consigo e não regressarão. Vai ser já no final do próximo ano letivo que o adeus definitivo acontecerá. O adeus gradual já está a acontecer: os alunos de 1.º e 2.º ano vivem sem eles em muitas escolas que também não tinham/têm equipamento próprio em quantidade e qualidade suficientes para permitir um trabalho regular, eficaz, mais individualizado e consistente no 1.º ciclo e pré-escolar (não esqueçamos que estão em vigor há dois anos metas TIC transversais a todos os ciclos de ensino, incluindo o pré-escolar, e que os computadores não são um luxo, mas uma ferramenta do currículo nacional).

 

 

* EB 2,3 de Azeitão e CCTIC – ESE/IPS: http://projectos.ese.ips.pt/cctic/ e http://eduscratch.dgidc.min-edu.pt/    



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29-10

* Teresa Martinho Marques

Querido Manuel, é tão tardia esta carta. Tão irremediavelmente tardia que nem sei em que estrela te pendurarás para a escutar ao meu lado enquanto a canto como a um fado.
Eu que me habituei a ser fada de mim e a usar uma varinha de condão para realizar os sonhos que vou sonhando (tantos deles para a escola), não quero acreditar que um deles vai ficar perdido por aí, deambulando, órfão de ti e da tua voz, sem destino a que chegar.
Sabias que fiz planos para me cruzar contigo e quase consegui? Tantas perguntas eu levava no bolso. Afinal só estivemos quase juntos porque o espaço foi o mesmo (inverno frio na Guarda e uma biblioteca quente), mas os dias foram dois, colados um ao outro sem se sobrepor. Adiamos na vida tanta coisa. E depois o sal e a dor. E inventamos que as pessoas não morrem porque a obra, a memória, essas coisas de circunstância, de limpar lágrimas e seguir em frente. Morremos sim, porque o futuro vai ser para sempre feito de passado. Parece que é a mesma coisa, mas é tão diferente. Eu queria continuar a escutar a tua voz e colá-la ao que já disseste até te dizerem que não podias dizer mais nada. Fim. Não queria somente o que já foi, o que li e reli. Não queria apenas amanhã só regressar a ti.

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01-10

 

 

* Teresa Martinho Marques

Nestes tempos conturbados, cada vez mais adversos, poder-se-ia pensar que morreriam quaisquer iniciativas visando a inovação na escola e o esforço dos professores no sentido de procurar formas de fazer mais, diferente e melhor. Não é verdade. Há projetos (com pessoas dentro) que se desenvolvem ao longo de um tempo próprio de acordo com planos de médio/longo prazo e são avaliados para que se tomem decisões de futuro sustentadas.

 

 

 

 

 

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11-06

 

 

* Teresa Martinho Marques


Não sei o que é o amor em educação.
Não consigo defini-lo com palavras simples.
Mas sei distinguir quem ama de quem não ama. Conheço os efeitos colaterais desse amor. E sei que não é preciso ser professor para transpirar essa paciência cheia de esperança do jardineiro.

Quando comecei a trabalhar com o Scratch na plataforma do MIT, surgiu por lá  o utilizador ffred a comentar os trabalhos dos alunos, apoiando, criticando, desafiando, estimulando. Podia ter qualquer idade, ser qualquer pesssoa, morar em qualquer canto do mundo. Dele conhecia o seu empenho e as suas palavras sábias dirigidas aos alunos. Faziam toda a diferença no trabalho das crianças que se habituaram a esperar essas palavras, a lê-las, a usá-las como referência.

 

 

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16-04

 

* Teresa Martinho Marques



Conheço a Vânia há pelo menos três anos. Uma jovem professora de TIC que se cruzou comigo por altura de um encontro em que divulguei a ferramenta Scratch. Já lecionou na Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Setúbal e trabalha numa escola perto da minha. No ano que passou desenvolveu um trabalho excelente neste contexto com uma turma de Percurso Curricular Alternativo - 9.º ano. Já frequentou uma sessão prática sobre o Scratch (que fiz no Seminário G 550) e continua a desenvolver um trabalho empenhado com os seus alunos, arriscando investir em ferramentas que poucos ainda usam.


Há poucos dias entrei no Facebook e encontrei esta sua frase junto de uma ficha de trabalho do final dos anos 80, no tempo em que frequentou o 2.º ciclo do ensino básico: E foi assim que me apaixonei pela informática... Linguagem Logo - 88/89 - Esc. Prep. Luísa Todi.



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12-03

 

 

* Teresa Martinho Marques

 

Temos o vício do Passado. Temos a ideia de que tivemos um tempo que já não é este. No meu tempo é que era! No meu tempo, isso sim! No meu tempo, quem me dera!


Temos o vício de um certo Futuro. Do futuro-caos, do futuro-triste, do futuro-desalentado. Do nem vale a pena porque já sei o que vai acontecer. Do para quê? Do por que razão? Antes fosse o vício de um futuro-sonho, futuro-motor, futuro-asa, futuro-visão…


Raros são os que têm um vício bom de Presente. Um vício de prestar atenção ao caminho, ao que é, ao que se tornou, no natural evoluir dos anos. Um saudável vício de o tornar perfeito com o que de mais imperfeito temos neste tempo. Este tempo que é o único a que podemos chamar nosso, o único onde podemos mexer, que podemos pintar, moldar, esculpir, empurrar, aproveitar, desperdiçar, aproveitando as aprendizagens do passado, mas sem ficar preso nele.


E praticamos frequentemente a arte do desencontro com imensa mestria: cada um vivendo no tempo que lhe convém, à hora diferente do tempo de quem está mesmo ali ao seu lado. Depois o remorso e a culpa.

 


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09-01

 

* Teresa Martinho Marques


Não deixo acumular as mensagens no correio eletrónico. Não deixo acumularem-se as novidades do digital, trazidas por amigos e colegas Não deixo adensarem-se as novidades, que eu própria procuro ao preparar as muitas ações que o ano de 2012 trará. Isso significa nunca interromper o fluxo de trabalho digital, nem mesmo nas épocas festivas como a que passou. Verdade seja dita, nos tempos em que era tempo de presentes, tão pouco deixava acumular as obrigações das festas e chegava a dezembro serenamente sem compras para fazer. Talvez seja coisa minha, talvez aguçado instinto de sobrevivência. Sou rápida para poder ser lenta. Sou organizada para poder ter um tempo vazio e desordenado à minha espera. Adio a gratificação para saborear a cobertura doce do bolo no final de cada dia. Adormeço sem insónia com a leveza do dever cumprido.


Gosto de abrir a caixa do correio e não a ver invadida com muitos centímetros de escuro por ler. Lido mal com a densidade das coisas reais e digitais. Falta-me ar se o espaço não tiver uma dose essencial de luz e branco à minha espera. Não sei exatamente como aprendi a lidar com a avassaladora velocidade dos dias e da informação que nos invade dentro deles. Não foi a escola, acho. Ou terá sido? Defendo-me sendo egoísta no meu tempo de rede. Escrevo para os outros, mas começo a conter o desejo de dizer. Bebo menos o que os outros oferecem, mas aprendo a arte de escutar. Seleciono com precisão cirúrgica o que quero. Apago, arrumo, escondo tudo o que não me apetece. Recuso bem mais do que aceito. Aprendo a apreciar o silêncio como a palavra mais importante dos anos que estão para chegar.

 

 

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12-12

 

* Teresa Martinho Marques



(Algumas histórias contadas, com muitos sorrisos, pelos professores que frequentaram a Oficina de Formação – Scratch e Matemática – 1.º Ciclo e Pré-escolar do CCTIC-ESE/IPS - e se atreveram a aventuras especiais com os seus alunos, mesmo depois de um tempo relativamente curto de aprendizagem da ferramenta Scratch).

... Eles são tão bebés no falar (quatro/cinco anos), mas nos nomes dos dinossauros acertam sempre e sem nenhuma falha de dicção... Pusemos o Apatossauro a andar de um lado do ecrã para o outro utilizando o “desliza num segundo, para determinados pontos x e y”, e um dos alunos diz logo: “O Apatossauro não anda tão depressa. Eles andavam muito devagarinho!”. Ora, por defeito, o comando de programação “desliza” tem 1 segundo de tempo marcado... Perguntei-lhe: “Já viste ali o número 1(segundo) do tempo que ele anda... Se queres mais devagar o que devemos fazer?” A resposta pronta: “Professora tem de ser um número maior de segundos!”... (a física intuída aos cinco anos – relação espaço/tempo = velocidade)... “E tu conheces um número maior que um?”... “Sim!... o seis!”. Descobriu o seis no teclado e experimentou... “E agora?”... “Oh... ainda não dá... está médio”! “Hummm... então que fazemos agora?”… “Pomos outro maior!”... “E conheces mais algum?”...  “Sei o oito!”... Experimentou e... “Está quase, mas tinha de ser mais!”... é que ele ainda não conhece números maiores do que oito.  Então agarrei nas mãozinhas dele, levantei-as, abriu os dedinhos e eu recordei o número dez! Ele escreveu esse número, com a minha ajuda e ficou feliz com o resultado. “Agora é que está mesmo bem! Com o dez – dedos no ar – é que fica bem!”.

 

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14-11

 

* Teresa Martinho Marques

 

Uma professora a lecionar o 1.º ano, pela primeira vez, propõe aos alunos (com 6 anos) uma tarefa de interpretação de dados num gráfico de barras. O tema? Pacotinhos de leite bebidos pelos meninos de uma turma ao longo da semana. Explica-se o gráfico, diz-se o que está escrito (dias da semana no eixo do X e número de pacotinhos no eixo do Y) e a certa altura esta pergunta: Em que dia da semana se beberam mais pacotinhos de leite?

O João coloca o dedo no ar e responde: Terça!

A professora: Está errado! Não é esse dia!

O João fica atrapalhado e a turma olha para ele e para a professora...

 

 

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12-10

 

 

 

 

* Teresa Martinho Marques

 


Abro a televisão e lá está a psicóloga a falar dos casais desavindos (e muitas vezes divorciados) por causa do Facebook. E são tantos e pelas mais diversas razões... «Está a ver... algumas mulheres não gostam que os seus companheiros façam like em meninas de biquini... Ou que as adicionem como amigas... E não querem que os companheiros/as fiquem tanto tempo de volta do computador em vez de prestarem atenção à família...» E que antes a culpa já foi também muito das salas de chat... e continua a ser dos sms do telemóvel e de toda essa parafernália de tecnologias do demo que chegou apenas para destruir as pobres famílias e afastar as pessoas umas das outras. Antes de tudo isto, penso eu à luz do que escuto, nunca ninguém se desamava, se traía, se afastava como agora. Saudades de uma caverna à luz da lareira.

 



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