* José Matias Alves
Como se sabe, há vários conceitos, tipos e perfis de liderança. Nas organizações escolares é relativamente consensual a vantagem da existência de uma liderança transformacional e inspiradora, que combata a ameaça da balcanização, da desconexão e as múltiplas forças centrífugas.
Mas nas escolas também podem existir lideranças tóxicas. As lideranças tóxicas podem seguir o seguinte padrão:
i) Centralizam o poder e afirmam-no de várias formas e feitios;
ii) Reservam e controlam a informação para saberem mais do que os outros;
iii) Desconfiam das capacidades dos outros e não perdem oportunidades para o evidenciar;
iv) Preservam as distâncias e cultivam o cerimonial da subserviência;
v) Constroem dispositivos de controlo sobre rumores e boatos organizacionais;
vi) Instituem formas tendencialmente vassálicas de relação;
vii) Fundamentam o poder na autoridade legal, com o argumento eu é que sou o diretor;
viii) São permeáveis à prepotência e ao amiguismo, destruindo qualquer hipótese de construção de comunidades educativas;
ix) Cumprem as orientações superiores, desvalorizando a legitimidade democrática que as colocou nesse lugar;
x) Têm dificuldade de escuta, não constroem laços, envenenam relações, semeiam a discórdia.
As organizações educativas que têm a desgraça de serem governadas por este perfil de liderança possuem dificuldades acrescidas de cumprirem bem a sua missão. Resta a esperança de serem poucas. E de o conselho geral não estar refém deste modo de agir.
* José Matias Alves é investigador, doutor em Educação e professor convidado da Universidade Católica Portuguesa.
De maria carmo a 10 de Novembro de 2011 às 12:29
Caríssimo professor e investigador
Concordo em absoluto consigo e acrescento a incapacidade que este modelo de autonomia das escolas projeta nas organizações escolares ao permitir lideranças incapazes e sem qualquer experiência na gestão escolar.( decreto-lei 75/2008 e portaria 604/2008)
Não existem estruturas nas organizações escolares detentoras de pensamento democrático e maturidade para selecionarem diretores justos e honestos. Impera o conluio, o favoritismo e a falta de fiscalização por parte das direções regionais no processo eleitoral.
A comunidade educativa ( conselho geral) na sua maioria não tem competência para eleger o diretor, nem conhece os problemas com que se debatem as escolas.Apenas marca presença porque a lei assim o instituiu.Os diretores das escolas deveriam continuar a ser eleitos apenas pelos pares. Dessa forma todos podem votar naquele em que acreditam ser o mais competente para liderar a organização escolar. Em alternativa o concurso público, com critérios bem definidos e enquadrados legalmente.Porque não, ser um cargo de carreira,através de concurso criteriosamente selecionado pelos superiores hierárquicos( ME), sem amiguismos e vícios locais?!!
De Manuel Alberto Pereira a 10 de Novembro de 2011 às 13:07
Absolutamente de acordo!
Inicialmente, ainda acreditei na "capacidade das organizações" em escolherem os melhores para que estas pudessem evoluir e "crescer".
Porém, passados dois ou três anos, já é possível concluir que um dos problemas está exatamente no modelo que facilita todo um conjunto de práticas que pode ser (é) usado por grupos para darem poder a quem melhor satisfizer os seus interesses.
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