28-10

* José Matias Alves

 

Como se sabe, há vários conceitos, tipos e perfis de liderança. Nas organizações escolares é relativamente consensual a vantagem da existência de uma liderança transformacional e inspiradora, que combata a ameaça da balcanização, da desconexão e as múltiplas forças centrífugas.

Mas nas escolas também podem existir lideranças tóxicas. As lideranças tóxicas podem seguir o seguinte padrão:

i) Centralizam o poder e afirmam-no de várias formas e feitios;

ii) Reservam e controlam a informação para saberem mais do que os outros;

iii) Desconfiam das capacidades dos outros e não perdem oportunidades para o evidenciar;

iv) Preservam as distâncias e cultivam o cerimonial da subserviência;

v) Constroem dispositivos de controlo sobre rumores e boatos organizacionais;

vi) Instituem formas tendencialmente vassálicas de relação;

vii) Fundamentam o poder na autoridade legal, com o argumento eu é que sou o diretor;

viii) São permeáveis à prepotência e ao amiguismo, destruindo qualquer hipótese de construção de comunidades educativas;

ix) Cumprem as orientações superiores, desvalorizando a legitimidade democrática que as colocou nesse lugar;

x) Têm dificuldade de escuta, não constroem laços, envenenam relações, semeiam a discórdia.

 

As organizações educativas que têm a desgraça de serem governadas por este perfil de liderança possuem dificuldades acrescidas de cumprirem bem a sua missão. Resta a esperança de serem poucas. E de o conselho geral não estar refém deste modo de agir.

 

 

* José Matias Alves é investigador, doutor em Educação e professor convidado da Universidade Católica Portuguesa.



publicado por Correio da Educação às 10:42
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28 comentários:
De maria carmo a 10 de Novembro de 2011 às 12:29
Caríssimo professor e investigador

Concordo em absoluto consigo e acrescento a incapacidade que este modelo de autonomia das escolas projeta nas organizações escolares ao permitir lideranças incapazes e sem qualquer experiência na gestão escolar.( decreto-lei 75/2008 e portaria 604/2008)
Não existem estruturas nas organizações escolares detentoras de pensamento democrático e maturidade para selecionarem diretores justos e honestos. Impera o conluio, o favoritismo e a falta de fiscalização por parte das direções regionais no processo eleitoral.
A comunidade educativa ( conselho geral) na sua maioria não tem competência para eleger o diretor, nem conhece os problemas com que se debatem as escolas.Apenas marca presença porque a lei assim o instituiu.Os diretores das escolas deveriam continuar a ser eleitos apenas pelos pares. Dessa forma todos podem votar naquele em que acreditam ser o mais competente para liderar a organização escolar. Em alternativa o concurso público, com critérios bem definidos e enquadrados legalmente.Porque não, ser um cargo de carreira,através de concurso criteriosamente selecionado pelos superiores hierárquicos( ME), sem amiguismos e vícios locais?!!


De Manuel Alberto Pereira a 10 de Novembro de 2011 às 13:07
Absolutamente de acordo!

Inicialmente, ainda acreditei na "capacidade das organizações" em escolherem os melhores para que estas pudessem evoluir e "crescer".

Porém, passados dois ou três anos, já é possível concluir que um dos problemas está exatamente no modelo que facilita todo um conjunto de práticas que pode ser (é) usado por grupos para darem poder a quem melhor satisfizer os seus interesses.


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