* Teresa Martinho Marques
Temos o vício do Passado. Temos a ideia de que tivemos um tempo que já não é este. No meu tempo é que era! No meu tempo, isso sim! No meu tempo, quem me dera!
Temos o vício de um certo Futuro. Do futuro-caos, do futuro-triste, do futuro-desalentado. Do nem vale a pena porque já sei o que vai acontecer. Do para quê? Do por que razão? Antes fosse o vício de um futuro-sonho, futuro-motor, futuro-asa, futuro-visão…
Raros são os que têm um vício bom de Presente. Um vício de prestar atenção ao caminho, ao que é, ao que se tornou, no natural evoluir dos anos. Um saudável vício de o tornar perfeito com o que de mais imperfeito temos neste tempo. Este tempo que é o único a que podemos chamar nosso, o único onde podemos mexer, que podemos pintar, moldar, esculpir, empurrar, aproveitar, desperdiçar, aproveitando as aprendizagens do passado, mas sem ficar preso nele.
E praticamos frequentemente a arte do desencontro com imensa mestria: cada um vivendo no tempo que lhe convém, à hora diferente do tempo de quem está mesmo ali ao seu lado. Depois o remorso e a culpa.
O sucesso educativo nasce da presença, da coincidência no tempo, da sincronia. Nasce de perceber este tempo e de encontrar as pontes entre o bom do já feito, o melhor do que é possível fazer, o excelente que se poderá avizinhar com as ferramentas que temos e as que vamos prevendo que sejam inventadas. O sucesso educativo nasce do aceitar viver no tempo em que os nossos alunos também vivem.
Fingir que tudo pode regressar a um tempo inexistente é matar todas as oportunidades do tempo em que vivemos agora, é apagar o melhor futuro antes dele se cumprir. Não agir agora por falta de fé no que virá, também.
Tal como ouvi uma vez numa canção de John Lennon no filme Mr. Holland's Opus,1995 (cantada e dedicada, também com linguagem gestual, pelo professor Holland - Richard Dreyfuss - ao seu filho surdo no filme - ... Life is what happens to you while you're busy making other plans... ), “a vida é o que te acontece enquanto estás ocupado a fazer outros planos”.
É importante planear, mas muito mais importante é estar atento a cada minuto em que temos a oportunidade de navegar.
Talvez por isso goste tanto da história zen (n’ O livro tibetano da vida e da morte, de Sogyal Rinpoche) em que o discípulo pergunta ao Mestre:
"Mestre, como se põe a iluminação em ação? Como se pratica na vida diária?"
"Comendo e dormindo", responde ele.
"Mas, Mestre, toda a gente come e dorme!"
"Sim, mas nem todos comem quando comem e nem todos dormem quando dormem."
É daqui que vem o famoso provérbio zen: "Quando como, como, e quando durmo, durmo."
Este é sempre o melhor tempo de todos os tempos.
Ontem? Porta fechada.
Amanhã é já outro dia.
* EB 2,3 de Azeitão e CCTIC – ESE/IPS: http://projectos.ese.ips.pt/cctic/ e http://eduscratch.dgidc.min-edu.pt/
De fernanda neves a 20 de Março de 2012 às 08:33
Penso exactamente como tu, o que está para trás já não regressa, pelo menos na mesma forma. Por isso há que pensar o presente olhado para o futuro.
Às vezes sinto que a minha forma intensa e alegre de viver o presente pode parecer despropositada, em face de todos os problemas que nos cercam, ainda sem vislumbrar luz ao fundo do túnel...
Este artigo sobre o tempo pacificou-me!...
Gostei muito. Vou partilhá-lo.
Às vezes sinto que a minha forma intensa e alegre de viver o presente pode parecer despropositada, em face de todos os problemas que nos cercam, ainda sem vislumbrar luz ao fundo do túnel...
Citação sem aspas!? :-)
Mas... gostei do destaque!
É daqui que vem o famoso provérbio zen: "Quando como, como, e quando durmo, durmo."
Este artigo é algo que vai me ajudar com meu trabalho de classe. Ele me ajudou a entender melhor um outro aspecto deste tópico. Obrigado.
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De Anónimo a 1 de Janeiro de 2013 às 09:59
Comentário apagado.
O sucesso educativo nasce do aceitar viver no tempo em que os nossos alunos também vivem.
E praticamos frequentemente a arte do desencontro com imensa mestria: cada um vivendo no tempo que lhe convém, à hora diferente do tempo de quem está mesmo ali ao seu lado. Depois o remorso e a culpa.
E praticamos frequentemente a arte do desencontro com imensa mestria: cada um vivendo no tempo que lhe convém, à hora diferente do tempo de quem está mesmo ali ao seu lado. Depois o remorso e a culpa.
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