14-10

Relia há dias o romance, Orgulho e Preconceito, de Jane Austen e deparei-me com uma série de preconceitos essencialmente sociais e culturais, tal como surgem identificados, expostos e narrados. Porém, surpreendeu-me o facto de me confrontar subitamente com uma interessante passagem, por mim já esquecida, e que, contudo, assinala um importante foco de interpretação da obra e da sociedade epocal ali enformada. Para além disso, a aludida passagem assinala interessantemente um ponto de relevante e actualizada polémica, sensível, por isso, à nossa época e hodiernas sociedades e demais subsistemas culturais e educativos. Trata-se, mais exactamente, da passagem relativa à consideração da personagem Mr Collins relativamente à leitura de romances no contexto da visita à casa da família Bennet. Justamente, Mr Collins afirmava a dada altura:

“ [...] O Sr. Collins prontamente aceitou, e um livro foi introduzido, mas ao contemplá-lo (pelo que todos os livros provinham de uma biblioteca itinerante) afirmou nunca ler romances. [...] ". O Sr. Collins, [...] disse: "Tenho muitas vezes observado quão pouco as jovens moças se interessam por livros de carácter sério e grave, embora escritos exclusivamente para o seu benefício. Espanta-me, confesso, - já que, certamente, não pode haver nada tão favorável a elas como a instrução. [...] ". [Austen, 1984:113].

 

 



publicado por Correio da Educação às 17:01
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02-06

Luciana Pereira*

 

Com a criação de um dia mundialmente comemorativo da poesia, faz, afinal, todo o sentido reflectir acerca da atractividade do texto poético no âmbito da sociedade ocidental contemporânea, justificando, entre outros aspectos, tamanha visibilidade. Não é intenção deste artigo debruçar-se sobre uma análise académica dos virtuosismos distintivos do texto poético ou da sua caracterização genológica adentro da sua evolução diacrónica. Desta vez, interessa perceber os motivos concretos que explicam a sua resiliência em contextos culturalmente dominados pelas inovadoras formas de comunicação e interactividade multimédia criativas.

*Luciana Cabral Pereira – Doutoranda na área da Didáctica da Literatura pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e Investigadora do CITCEM, FLUP.



publicado por Correio da Educação às 10:48
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16-04

Luciana Cabral Pereira

 

 

Em tempos de pós-modernismo, prolonga-se ainda nos amplos espaços da criação artística e literária os efeitos ulteriores do espartilhar do sujeito humano. Resultado de uma progressiva escalada de introspecção subjectiva romântica, cuja exacerbação ontológica cedeu lugar à disseminação e consequente fracturação de identidades, tal como exemplarmente plasmam na obra poética de Fernando Pessoa, tamanha representação do esvaziamento humano justifica, em contrapartida, o elogio do humano na literatura. Desviado de qualquer tipo de idealismo infecundo e duvidoso, o discurso panegírico que aqui se apresenta dirige-se, muito fundamentalmente, às iniciativas didáctico-pedagógicas que intentam a revelar o humano nos textos e obras da literatura, em tempos indecisos quanto ao rumo da educação escolar e geral. Mais concretamente, elogie-se as iniciativas humanistas de abordagem e críticas literárias que acolhem o texto literário como algo mais do que um objecto de análise metodológica rigorosa, qual produto de uma operação lógica e maquinal. Afinal, se a literatura é, para além de muitas e discutidas coisas e naturalmente legítimas opiniões, um prolongamento sensível e criativo do humano, e a poesia um “ […] espontâneo transbordar de sentimentos poderosos […]” [Jones, Alun R., Tydeman, William, 1984: 36], no sentido wordsworthiano de uma extraordinária captação romântica das vidas, sujeitas à filtração sensorial e subjectiva do sujeito poético, valerá certamente a pena resgatar tamanhos conteúdos humanos.

 

Luciana Cabral Pereira – Licenciada em Línguas e Literaturas Moderna, FLUP; doutoranda em Didáctica da Literatura, UTAD; investigadora do CITCEM / FLUP.



publicado por Correio da Educação às 02:55
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