29-11

* José Matias Alves



Todos conhecemos alunos que não queriam ir para a escola: porque as matérias nada lhes diziam, porque as aulas eram uma seca, porque precisam de biscatar para ajudar a família, porque e porque.


Começam agora a surgir os alunos que não querem sair da escola. Que adiam a conclusão do 12.º ano, que deixam deliberadamente uma disciplina para trás, ou a prova de aptidão profissional. Mesmo quando expectavelmente, no caso dos cursos profissionais, podem ter acesso a um emprego.

 

Não sabemos a dimensão deste problema. Mas, por pequeno que seja, indicia um sentido de medo de futuroque nos deve inquietar. Porque não se pode adiar a vida para sempre, porque este medo pode indiciar uma falha radical nas aprendizagens que é necessário desenvolver. Aprender a resiliência face a um mundo de enorme adversidade. Aprender a enfrentar e a resolver problemas. Aprender a ver (e a construir) oportunidades de vida mais autónoma. Aprender a perseverar, a reparar, a participar, a denunciar, a intervir. Aprender a ser um pouco mais autor, mais criador. Desaprender o vício do consumismo que nos destrói.


Num cenário de prolongamento da escolaridade obrigatório até aos dezoito anos (que se começa a aplicar aos alunos que estão agora no 9.º ano), este fenómeno pode assumir dimensões de catástrofe. Evidentemente que as saídas se jogam muito fora do sistema de ensino. Mas não há dúvida de que temos de investir muito mais nas aprendizagens essenciais para viver na turbulência, no caos e na selvajaria do mercado.

 

 

* José Matias Alves é investigador, doutor em Educação e professor convidado da Universidade Católica Portuguesa.



publicado por Correio da Educação às 11:54
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