16-01

 

* José Matias Alves

 

Está em curso mais uma reforma curricular. Mais hora ou menos hora. Tira aqui e coloca ali. Reforçando a visão disciplinar do conhecimento. Decretando que os conhecimentos mobilizáveis para agir, conhecer, intervir e transformar o mundo e dar sentido à vida não têm dignidade curricular. Só o conhecimento puro (mesmo que seja o sistema nervoso da mosca que para “nada” serve) é que importante.


Está em curso uma suposta mudança de paradigma. Mas não se conhece o horizonte, a substância, a rota, o rumo. Vive-se na era do vazio, da incerteza e da ameaça. De cortes e de asfixia. Com os diretores das escolas transformados nos chefes de secretaria preenchendo formulários eletrónicos nas plataformas centrais. Com os professores cansados de tanta mudança inútil porque não toca no essencial.

 

E é inútil porque não é isso que faz os professores ensinar melhor. Que faz os alunos aprender mais. Que faz a organização escolar querer mudar de registo e de práticas. E pode ser até prejudicial porque há um enorme cansaço e desilusãonas escolas. Que esperam (mesmo que disso não tenham consciência) que seja possível um outro sentido para a ação profissional. Muito mais fundado na liberdade e na autonomia e no risco. Na possibilidade de autoria de normas próprias no campo da organização do conhecimento, do agrupamento dos alunos, na gestão do tempo.


Como o atesta a insuspeita OCDE (2010):
Les réformes ont un impact constant sur les structures superficielles et les paramètres institutionnels des écoles, mais il est beaucoup plus difficile d’agir sur les activités fondamentales et la dynamique des apprentissages de classe.

 

Justamente. Entre nós persiste esta ilusão. Precisamos de passar da ordem do mando para a ordem da autonomia e da responsabilidade. Da ordem do domínio e do controlo remoto para a ordem da criação local. Porque é isto que nos faz crescer. Porque é isto que nos faz querer. Como pessoas, como profissionais e membros de organizações que também podem aprender.


* José Matias Alves é investigador, doutor em Educação e professor convidado da Universidade Católica Portuguesa.



publicado por Correio da Educação às 10:00
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37 comentários:
De e a 23 de Janeiro de 2012 às 20:07
e


De Anónimo Lopes a 23 de Janeiro de 2012 às 20:10
Para além das gralhas. É preciso. Saber escrever. Frases completas. Não jornalísticas. Os alunos imitam. Quase tudo. É irritante. Sim. Batam no conhecimento. Com frases entrecortadas. Com ritmo. Lindo. Parece rap. Mas façam-no com conhecimento. De causa. E de português. Boa. Noite.


De Ana Paula a 23 de Janeiro de 2012 às 20:59
Se os problemas do ensino se esgotassem no facto dos alunos só saberem escrever frases jornalísticas.... que felizes eram os professores . Não, são mais e maiores . E um dos que mais bloqueia é este síndroma de fagocitose de que fala Santos Guerra : como se gosta de bater em quem não se rende à inércia !.... se não se pode bater nas ideias, então bata-se na "roupa " das ideias ... não se pode matar as palavras ? acuse-se a ortografia .... Enquanto os professores se perderem na espuma dos dias , nunca será o dia dos professores. ( não é rap ...é tango,,,)


De Anónimo a 24 de Janeiro de 2012 às 23:46
"Se não se pode bater nas ideias"? Mas há aqui ideias que precisem que lhes batam? Vindas de cientistas da educação? Os restantes comentários falam por si (metalinguisticamente, pois concerteza que sim...)
Quanto a frases curtas: "Que faz os alunos aprender mais." e "Justamente." são frases curtas? Não, não são frases.
O basicozinho, como dizia o Eça, o basicozinho antes da metafísica de trazer por casa...


De JMA a 25 de Janeiro de 2012 às 22:19
Estamos imensamente cansados de todos os anónimos Lopes que dizem nada! E que nem sequer sabem o que é uma frase! Nem sequer sabem escever "com certeza". Para além de um vazio de argumentação atroz.


De António Pedro Pereira a 24 de Janeiro de 2012 às 09:41
Senhor Anónimo Lopes????:
Não teria sido mais importante contra-argumentar quanto ao conteúdo?
Ou aí não encontrou motivo?
Ficou-se pela forma, um tirinho de pólvora seca.
Muito pior do que frases curtas, sincopadas, são as frases extralongas com que por vezes nos brindam.
Uma das regras do bom português é a frase curta.


De Eugénia Barros a 24 de Janeiro de 2012 às 12:12
Caro Sr. Anónimo,

o senhor escolheu a forma mais fácil de criticar. Só se refere à forma e não ao conteúdo...não sabe ou não consegue fazer melhor?


De Detector. De palermas. a 24 de Janeiro de 2012 às 15:20
Palerma!


De Anónimo a 24 de Janeiro de 2012 às 23:47
"Palema" é quem, mais especificamente? Somos tantos aqui...
Afinal, a frase curta nem sempre é virtuosa...


De Jose Baltazar a 28 de Janeiro de 2012 às 09:08
A prova provada de que o Anónimo Lopes não tem qualquer razão é que a sua tentativa de imitação de um texto com frases entrecortadas, com ritmo, estão num péssimo português, o que não é o caso do texto criticado. Fraca imitação.


De José Couto a 23 de Janeiro de 2012 às 21:22
Subscrevo. Em Portugal é sempre assim... já não me surpreendo. Reforma-se sem antes fazer uma avaliação séria do que se extingue... E em vez de se começar pela revisão dos programas curriculares, começa-se pela alteração (economicista, pois claro...) das cargas horárias curriculares...


De Costa200 a 24 de Janeiro de 2012 às 12:42
O sistema nervoso da mosca pode ser estudado na perspetiva da evolução dos sistemas nervosos animais. É um sistema nervoso constituído por gânglios distribuídos pelo corpo do animal, e portanto superior em eficácia de processamento de informação a um sistema nervoso completamente difuso e inferior ao típico dos mamíferos e aves em que o processamento de informação é completamente centralizado. O estudo do sistema nervoso dos insetos , mosca incluída, é exatamente o tipo de conhecimento que permite a melhor compreensão do que somos, como somos e do que os nossos antepassados foram.



Mas decerto que o autor deste artigo conseguiria arranjar alternativa como objeto de estudo. Provavelmente alguma balela filosófica que não se avalia objetivamente , mas que fica excelente, escrita e enterrada em qualquer lado, marcada como "competência".



É que, além das excessivas reformas no ensino, há ainda algo mais que é típico do ensino em Portugal. São os comentadores amadores, que normalmente trabalham em Universidades, nunca tendo passado pelos níveis inferiores de ensino ou estando desligados destes há décadas, cada um com as suas ideias milagrosas sobre como os verdadeiros profissionais do ensino básico e secundário devem trabalhar.




Estes iluminados, quando chegam a lugares elevados no Ministério da Educação, são exatamente os causadores do "excesso de reformas".




De António Pedro Pereira a 24 de Janeiro de 2012 às 16:16
Sr. Costa:

Não acha estranho que, como esses «extraterrestres» de que fala (que só produzem ideias inúteis sobre o ensino, por contraponto aos «homens e mulheres do suor», que estão no terreno, fugiram da «luta») então o campo da «luta» está em boas mãos.
Logo, qual é o problema que falem?
Há argumentos que contém em si contradições do «caraças», não é?


De António Pedro Pereira a 24 de Janeiro de 2012 às 16:18
Correcção ao meu comentário anterior:

... terreno) fugiram da «luta», então o campo da «luta» ...


De Costa200 a 24 de Janeiro de 2012 às 18:56
A "luta" que produz resultados é a diária, não é aquela que aparece para a fotografia ou para a venda fácil de livros de receitas rápidas e baratas que alguns fazem. O senhor só fala de ausências da "luta" porque está tão longe da verdadeira luta que não tem hipótese sequer de a ouvir.


De gaivota a 24 de Janeiro de 2012 às 17:09
O sr. não sabe mesmo do que está a falar. São linguagens diferentes... Que tristeza! É por isso que o ensino está como está. Alguns professores julgam-se donos da verdade absoluta e essa, como sabemos, não existe.


De gaivota a 24 de Janeiro de 2012 às 17:10
Sr. Costa,
seja menos arrogante... a arrogância cega-nos.


De Costa200 a 24 de Janeiro de 2012 às 19:09
Fala de arrogância? Porque de facto estou em posição para "fazer" em vez de "falar de"...? Isso não é arrogância, é bom senso. Não dou palpites ao meu mecânico, não explico as leis ao meu advogado, não rejeito os diagnósticos do meu médico. Poderia fazê-lo e se as minhas ideias fossem recusadas eram-no provavelmente com razões que a sua preparação e experiência profissional lhes conferiu.

Apenas exerço a mesma prerrogativa. Oiço opiniões de amadores, 99% disparatadas e normalmente acompanhadas de exemplos infelizes de quem não domina o assunto (sem questionar a inteligência do interlocutor) e quase invariavelmente tenho de as rejeitar. É isso um grande drama? Porque é que todo o mundo acha que é especialista em educação e os que assim consideram trabalham normalmente em campos quase paralelos que só ocasionalmente intersetam algo de real interesse?

Não é esta realidade a fonte do excesso de reformas no ensino português? A reforma que é verdadeiramente necessária é não haver reforma nenhuma de deixar as escolas, onde estão os verdadeiros profissionais deste campo, trabalhar em paz, sem o excesso de cargas burocráticas e tolices afins emanadas de um qualquer gabinete de nomeação política.


De António Pedro Pereira a 24 de Janeiro de 2012 às 19:42
Sr. Costa:
Na sua concepção de «self made man», só a prática é válida e só a prática nos ensina.
Não sei como, apesar de tudo, evoluímos (a não ser que considere que estamos pior do que nos século XVIII), não sei porque não estamos a ensinar, por exemplo, ainda pelo método de Lancaster, ou como não pomos ainda os meninos de castigo com orelhas de burro feitas de papel às janelas das escolas, voltados para as ruas, para chacota pública por não saberem a tabuada.
Como a prática é que nos forma, terá o senhor tirado algum curso superior para poder ensinar?
Ou terá ficado pela 4.ª classe do tempo em que era considerada uma «licenciatura»?
Ou não será um «mestre» analfabeto à moda dos «mestres» medievais formados na oficina artesanal?
Para si, definitivamente, não há lugar para teorias, para discussões sobre políticas educativas e sobre métodos, NADA.
Esses ignorantes teóricos que se calem, de uma vez.
Vivam os operários do giz.


De Costa200 a 24 de Janeiro de 2012 às 21:15
E acha o senhor que os professores são "operários do giz"? Já entrou numa sala de professores? Já verificou como é feita a prática moderna de ensinar? Acha que não se reflete e se corrige comportamentos?

Aí é que reside o ponto de fulcro. Os senhores aparentemente pensam que os professores são uma espécie de executantes que se assemelham a drones para dar corpo às vossas boas intenções.

Pergunto-lhe, acha que as transformações que o ensino sofreu ao longo dos tempos de devem a teóricos que ordenavam mudanças de cima para baixo? Ou será que a evolução foi antes motivada por efetivas mudanças culturais que tornaram inaceitáveis certas práticas e que criaram necessidades que levaram a modificações de várias ordens, entre as quais o ensino?

Repare-se que o problema não é a existência de reflexões e construções teóricas. Ainda bem que existem. O problema é que todos estes teóricos tendem a pensar que a alternativa própria é melhor que todas as outras.

Escreveu bem sobre as transformações ao longo dos tempos. A questão é, quem determinou o que funcionava e o que não funcionava não foram os teóricos, foram os que todos os dias construíam a sua atividade.

Na altura em que se praticavam as barbaridades que indicou às crianças, a maior parte dos teóricos da altura aconselhavam-nas, por isso é que eram tão praticadas.

Basicamente o que fez foi construir um homem de palha para deitar abaixo, colocando expressões e ideias que nunca defendi para as desconstruir.

E a sua divagação sobre as qualificações académicas é descabida e desnecessária. Todos temos que aprender e começar em algum lado. Mas o que distingue o amador do profissional é a prática.

Posso ter todas as qualificações académicas que quiser que continuo um amador se não colocar à experiência as minhas ideias e práticas.

Mais, se não o fizer e passar a tentar ensinar outros o que fazer sem nunca ter a experiência necessária vou provavelmente errar e induzir em erro. Devo sentir-me insultado se depois as minhas ideias sejam rejeitadas?

A questão aqui não é abstrata. Repare-se no exemplo utilizado pelo autor do artigo. É simplesmente infeliz, e porquê? Porque o autor do artigo não é do campo científico correto para avaliar se o sistema nervoso da mosca tem interesse ou não. Basicamente é isto. Porque não escolheu um exemplo da própria área? Provavelmente porque lhe parece que tudo na sua área é importante? E quem decide o que é importante? Decerto não devem ser aqueles que não estão dentro do assunto não é?

"Ou terá ficado pela 4.ª classe do tempo em que era considerada uma «licenciatura»?"

Não faço a mínima ideia de que altura era esta. Será hipérbole?


De Anónimo a 29 de Janeiro de 2012 às 00:41
Caro Amigo

Há muito tempo que não lia algo tão acertado sobre educação.

Parabéns!


De gaivota a 24 de Janeiro de 2012 às 22:04
Sr Costa,

Neste assunto tão complexo que é a escola, o ensino e a educação um dos maiores perigos que podemos correr é a tentação para a generalização. O sr. está a generalizar, mais uma vez em cima do seu pedestal. Fala como se todos os especialistas em Educação, como o senhor diz, não tivessem já sido professores e não conhecessem perfeitamente o terreno, grande parte deles são ou já o foram. A questão não é essa. Estamos a falar de paradigmas diferentes. A escola não é só instrução, por isso não deve ser demasiado disciplinarizada. Existem outras dimensões da educação que não podem se mesmo disciplinarizadas. Ou o senhor tem dúvidas sobre isso? Nem todos os alunos que estão na escola vão ser médicos, engenheiros, professores...mas todos vão ser cidadãos! A escola tem obrigação de lhes criar condições para aprenderem a ser cidadãos no sentido pleno da palavra. Uma coisa é ser um bom aluno, outra coisa é ser um bom cidadão. A educação não pode ser toda disciplinarizada. Nem só o português, a matemática, a história e a geografia são importantes para a formação do indivíduo. Não está de acordo?


De costa200 a 24 de Janeiro de 2012 às 22:36
"Neste assunto tão complexo que é a escola, o ensino e a educação um dos maiores perigos que podemos correr é a tentação para a generalização. O sr. está a generalizar, mais uma vez em cima do seu pedestal. Fala como se todos os especialistas em Educação, como o senhor diz, não tivessem já sido professores e não conhecessem perfeitamente o terreno, grande parte deles são ou já o foram."

Todos não. Só a maior parte, infelizmente. E os que passaram pelos níveis de ensino relevantes, em norma, deixaram-nos porque não eram muito bons naquilo que faziam e procuraram uma posição da sociedade que lhes limitasse o contato com os alunos. São raras as exceções, mas é muito positivo que existam. O problema é que normalmente as vozes dos que vale a pena ouvir são afogadas pelos números.

Quanto a pedestal, nunca tive. Caso não tenha notado, estou aqui a trocar impressões com os senhores, nada mais.

". Existem outras dimensões da educação que não podem se mesmo disciplinarizadas. Ou o senhor tem dúvidas sobre isso?"

Não tenho dúvida nenhuma. Nem sequer me referi a esse aspeto. Agora diga-me, qual foi o efeito real das não disciplinares ao longo destes anos no ensino português? Aumentou o desempenho em qualquer aspeto mensurável? Houve uma grande onda de apoio a esses tempos por parte dos alunos ou professores que os trabalharam?

Posso dizer por experiência própria de várias escolas por onde passei que a generalidade das pessoas e alunos consideravam tais tempos como um desperdício de tempo semanal. Os alunos chegam hoje ao Ensino Secundário sem os conhecimentos e capacidades básicas para chegar a um nível apropriado ao Ensino Universitário.

Na verdade a única defesa que esses tempos não disciplinares têm hoje em dia é corporativa, dos sindicatos (questão de horários disponíveis) e de pedagogos que nunca tiveram de verdadeiramente trabalhar esses tempos.

É que num ensino de qualidade, que exige tempo, todas as componentes dessas não disciplinares são trabalhadas, ao mesmo tempo que verdadeiros conhecimentos são adquiridos e capacidades desenvolvidas.

"Nem todos os alunos que estão na escola vão ser médicos, engenheiros, professores...mas todos vão ser cidadãos!"

Evidentemente, mas não vi demonstração objetiva de que um aluno que frequente os ditos espaços não disciplinares seja melhor cidadão que outro. Mas vejo todos os dias alunos que terão capacidades limitadas numa economia mundial em falência pela falta de perícias técnicas e mesmo artísticas quando comparados com exemplos doutras nações.

Não sou nenhum fundamentalista. Tem de ser criado espaço para trabalhar certos aspetos de cidadania, mas os moldes não serão os que ocorrem neste momento.

Também não sou ingénuo. Esta "reforma" é quase só economia. Não me parece ter uma verdadeira ideia que lhe sirva de base.




De gaivota a 24 de Janeiro de 2012 às 23:13
Devo dizer que também já passei por muita escola e conheço muito bem o terreno. Esses tempos não disciplinares de que fala, nunca foram aproveitados, nem valorizados pelos professores que nunca acharam qualquer interesse neles. Talvez não tivessem o devido apoio, reconheço. Mas uma verdadeira reforma passa, também, pela mudança das atitudes dos professores... E passa, repito, por uma mudança de paradiga daquilo que é a educação actualmente. por muito que custe ouvir a educação não é só ensino, está muito para além disso... A questão é que estamos a andar no sentido contrário: a escola caminha cada vez mais para aprender a ler, escrever e contar, como na época do Estado Novo. E isto é muito, muito grave. A questão é que é muito fácil avaliar história, matemática, língua portuguesa... A outras dimensões da educação são avaliáveis doutra forma que não quantitativamente. Agora não tenha dúvidas que tão importante como saber ler, escrever e contar, é fundamental saber estar, saber aceitar e viver com o outro que é diferente de mim e acima de tudo praticar e aprender a viver numa sociedade cada vez mais cosmolita e mais diversificada...A escola tem obrigação de criar condições aos seus alunos e professoes para praticar estas competências! a questão é que os professores não estão dispostos a fazer esta mudança e, muito menos, a aceitar outros profissionais a entrar na escola para os ajudar nesta difícil tarefa de educar. Sabe, esta seria a verdadeira e a correcta mudança. caso contrário, estamos a falar de uma escola cada vez mais elitista e segregacionista, o que é muito perigoso, nos tempos que correm. A reforma que se está a pretender fazer por este governo além de economicista é cada vez mais segregacionista e não é isso que está na Lei: A escola é para todos, nem o que a sociedade pretende.
Por isso julgo devermos ter muito cuidado com as análises que fazemos.


De Costa200 a 25 de Janeiro de 2012 às 01:41
Penso que ainda mais grave do que o que diz é que o estado geral das aprendizagens básicas é insatisfatório. E não sei se a carga horária resolve. É socialmente complicado valorizar a escola na comunidade.

Não só não estamos a conseguir formar cidadãos completos, nem sequer estamos, neste momento, a conseguir que a universalidade do ensino se converta em aquisição dessas mesmas capacidades elementares.

A verdadeira inversão necessária não é, na minha opinião, curricular. É sim da própria entidade "escola". De uma cultura que se tem de criar em torno da escola e dos seus valores. É a melhor "formação cívica" possível. Muito melhor que destinar um tempo horário para desenvolver esta vertente. Os problemas comportamentais, a forma de os resolver e as ferramentas de que a escola dispõe (ou não dispõe, na verdade) para os resolver de forma a que o aluno sinta o que é necessário para pertencer a essa comunidade que é a escola.

De que serve estar horas e horas a pregar à cidadania se depois, quando conta, a desresponsabilização é absoluta e a impotência dos órgãos da escola é total?

Já nem falo da questão da educação parental, sobre a qual é necessário intervir urgentemente...

A escola deve ser capacitadora de mobilidade social, e neste momento é-o cada vez menos. Aí concordo absolutamente consigo. O que se vê agora é que, com tendência para agravar, as famílias com mais condições conseguem para os seus educandos cada vez mais vantagens sobre os outros porque simplesmente quando a escola pública falha, falha para todos mas há uns que não precisam dela. Têm alternativas. Os outros ficam num beco sem saída e votados à exclusão social.

Uma verdadeira escola pública igualitária e democratizante tem de conseguir dar oportunidade aos desfavorecidos de, com esforço e dedicação, chegarem tão alto quanto quiserem. Neste momento o que acontece é que as fasquias estão, por regra, tão baixas, que todos vão avançando mas sem ganho intelectual real. E aí está a verdadeira desigualdade escondida, pois os que têm melhores apoios na retaguarda vão buscar esse avanço intelectual noutras fontes, e isolam-se de imediato na cabeça do pelotão, sem que seja dado aos outros a mínima hipótese de os acompanharem.

Esta é a minha principal preocupação quanto a este assunto, como educador e sobretudo como português.


De 1949deal a 21 de Maio de 2013 às 08:27
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De Valsousa a 24 de Janeiro de 2012 às 19:46
Realmente esta é uma reforma inútil. Aqui nota-se grande uma preocupação economicista, que descura a qualidade do Ensino.
Não é perceptível qualquer quebra paradigmática nesta reforma; aliás, não se assiste a nenhuma ruptura paradigmática na educação escolar há mais de cem anos; são feitos ligeiros ajustes, apenas — as ditas Reformas.
Na proposta avançada pelo Ministério é evidente a sobrevalorização do Português, Matemática e demais Ciências Exatas e o subestimar das áreas criativas, como a EVT, ET e EV e até das TI. Será esta a resposta às necessidades sentidas hoje, numa era da imagem e da comunicação? São as disciplinas, como as conhecemos, as mais indicadas para a época que se vive?


De Cão com pulgas a 24 de Janeiro de 2012 às 22:16
O. Professor josé matias alves tem muitos apaniguados. Nºão dá uma aula há dezenas de anos mas ssabe de tudo,..


De António Pedfro Pereira a 24 de Janeiro de 2012 às 23:03
Porque não experimenta shelltox?

Mata que se farta.


De JMA a 25 de Janeiro de 2012 às 22:24
Pelo respeito que me merece, devo informá-lo que dou aulas todas as semanas. Tenho excelentes resultados e excelentes avaliações. Durante 35 anos fui professor do ensino secundário. Um pouco mais de integridade intelectual não lhe ficaria mal!


De Ana Martins a 24 de Janeiro de 2012 às 23:41
Este país adora reformas que poucas vezes têm impacte nas aprendizagens dos alunos. Nunca se ouve os docentes nem os investigadores. Ninguém sabe quase nada, mas quem não está na escola é que sabe como se aprende na escola. Competências sociais, para quê? Competências transversais para quê, diz o executivo? Centremo-nos agora nas metas e pronto...eu vou continuar a tentar ensinar como quero ensinar ou acho que devo ensinar, ao resto darei sempre o crédito que me têm dado, nos últimos anos: quase nenhum! Na minha sala, quem ensina sou eu!


De Valsousa a 26 de Janeiro de 2012 às 22:02
Ouvir-nos-iam se nos uníssemos e imobilizássemos as escolas por uns dias. O país — e, consequentemente, a economia nacional — entraria em caos sem saber o que fazer com os seus jovens. Nessa situação, quem se meteria conosco?

Aí sim, seríamos ouvidos. Só assim é que poderíamos influenciar a redefinição curricular. Claro que teríamos de nos organizar e dar lugar aos de nós que tivessem refletido , estudado Currículo e/ou percebessem as reais necessidades da sociedade. Não quereríamos cair no erro de repetir os mesmos erros das "mudanças" anteriores. Provavelmente seriam propostas outras disciplinas ou áreas disciplinares (ou seja lá como se chamariam), adequadas às reais necessidades dos nossos jovens e sociedade. Como foi registado num outro comentário, o conceito da escola seria redefinido, não só em termos económicos.

Nesta ordem de ideias, o que impediria os (inúmeros) sindicatos de efetuar uma recolha de alimentos e outros bens para distribuir pelos docentes que aderissem a essa greve prolongada?

Seria possível ou é utopia minha?


De E T a 25 de Janeiro de 2012 às 12:04
Amigos é tudo muito bonito o que dizem mas não percebem nada de nada, vão para o terreno dar aulas em condições degradantes sem incentivos para a melhoria do ensino. Os reformas são totalmente pessimas, querem que os alunos aprendam contruindo pela chamine para chegar aos alicerces se alguma vez lá chegarem. Qualquer dia não haverá alunos sabedores haverá sim alunos sem qualquer perpectiva de qualquer conhecimento. A escola é pouco atrativa, é chata e longa. O tempo escolar é exagerado não há tempo para os alunos serem crianças e sonharem. Isto claro sem falar nos professores do 1º ciclo e educadores de infancia que chegam a trabalhar 50 horas semanais. Estranho sim pois neste país tenham que trabalhar nas escolas tantas horas pois qualquer trabalhador trabalhar 40 horas e vai para casa mas os professores ainda tem trabalho que levam para casa talves nas melhores das hipoteses 3, 4 horas a mais e a vida pessoal fica onde? Por isso se for para melhorar as condições de trabalho dos profissionais e dos alunos tendo estes ultimos condições de aprender o que não sido o caso pois às vezes nem tem papel higienico para a casa de banho acho bem se não é melhor que estejam quietos pois já fizeram muita porcaria. Na minha perpectiva acho que os educadores deveriam ter menos horas de trabalho com as crianças para terem mais tempo para melhor poderem planearem as actividades, os professores do 1º ciclo acabarem com a monodocencia passarem a ter todos um pluridocencia para assim especializarem-se numa só área de ensino e os restantes professores condições materiais como dinheiro para projectos , laboratorios ,etc. Finalmente acabo só com uma nota por que será que os privados tem tão bons resultados? será o facilitismo ? concerteza que não. Condições, o tempo adquado melhor sucesso.


De Mp a 25 de Janeiro de 2012 às 23:12
Concordo plenamente . Há 30 anos cansada de reformas que nada mudam ! Depois a revolta que se fica pelo ' muro das lamentações ' . Ainda houve um raio de esperança com os cursos profissionais , tecnológicos e artísticos e mais recentemente com o ensino de adultos nos Cno . Mas ao que tudo indica vamos andar para trás ... Já nao tenho mais 30 anos de paciência : (


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