12-10

Lisboa, 15/08/1889 - 01/10/1970

 

 

Filha e discípula do aguarelista Alfredo Roque Gameiro, Raquel Roque Gameiro passou a infância na Amadora e conviveu desde pequena com o meio intelectual e artístico que frequentava a casa paterna, sendo marcada por um ambiente familiar profundamente unido e virado para as artes. Fez os estudos básicos em casa e, estimulada pelo pai, que proporcionou aos quatro filhos educação artística, começou a desenhar ainda criança, havendo registos seus com cerca de sete anos de idade. Em 1906, aos 15 anos, começou a carreira de ilustradora na colecção "Para as Crianças", de Ana de Castro Osório (A Minha Pátria), interrompendo-a aquando do casamento com o 4º Conde de Ottolini, Jorge Gomes Ottolini, e o nascimento dos filhos.

Retomou a actividade artística, enquanto ilustradora de livros, na década de vinte, assinando obras de, entre outros, Adolfo Portela, Agostinho de Campos, Ana de Castro Osório, António Sérgio, Augusto de Santa-Rita, Emília de Sousa Costa, Mário Gonçalves Viana, Rocha Martins, Rodrigues Lapa, Sara Beirão e Tomás Borba. Os seus desenhos não podem ser dissociados de muitos desses contos para crianças, tendo, simultaneamente, mantido intensa e prolongada colaboração em jornais e revistas, com destaque para a década de trinta. São da sua autoria numerosas capas e ilustrações das revistas ABCzinho, Joaninha, Eva, Ilustração Portuguesa, Jornal dos Pequeninos, Lusitas, Modas e Bordados, O Mosquito, Mickey, Portugal Feminino e Sphinx. Algumas daquelas são belíssimas e arrojadas para a época e a sua arte estendeu-se aos manuais escolares. Também foi a autora do livro A História do Bebé, com sucessivas e actuais reedições, onde os pais podem registar os episódios mais marcantes da vida dos recém-nascidos até ao primeiro exame e à primeira comunhão. Admiradora dos ilustradores Arthur Rackan e Edmond Dulac, foi uma pintora e aguarelista de renome. Membro feminino efectivo da Sociedade Nacional de Belas-Artes, com o n.º 98, participou nas exposições de 1909, 1910, 1913, 1915, 1929 e 1937 e recebeu sucessivos prémios, tendo obtido logo na primeira uma menção honrosa. Quatro aguarelas suas mereceram destaque na "Exposição da Obra Feminina, antiga e moderna de carácter literário, artístico e científico", organizada por Maria Lamas e o jornal O Século em 1930. Foi ainda bolseira, no estrangeiro, do Instituto de Alta Cultura e a Imprensa Nacional concedeu-lhe o prémio Ex-Libris. Em 2002, Raquel Gameiro foi escolhida para patrona da Escola Básica do 1º Ciclo n.º 2 da Venteira (Amadora).

 

Publicou as seguintes obras: A lição de Salazar (visual gráfico), Lisboa, 1938. A História do Bebé: recordações desenhadas, Lisboa, 1954. Sobre ela, temos os trabalhos seguintes: Amélia Soares da Cruz Coelho, "Raquel Roque Gameiro", Cadernos de Educação de Infância, n.º 19, 1991, pp. 5-6. Paulo Guinote, Quotidianos Femininos (1900-1933), Lisboa, 2 vols., 1997.

 

 

João Esteves, «GAMEIRO Ottolini, RAQUEL ROQUE», in António Nóvoa (dir.), Dicionário de Educadores Portugueses, Porto, Edições Asa, 2003, pp. 617-618, com adaptações.

 



publicado por Correio da Educação às 15:02
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